História Vocacional
Caçula de cinco irmãos, respectivamente: Edivaldo, Maria de Fátima, José Henrique, Ana Maria e eu. Nossos pais, Sebastião (Tiãozinho) e Lindauria (Tuca) sempre foram católicos fervorosos. Sou natural de Capelinha/MG e filho da Paróquia Nossa Senhora da Graça. E cresci moldado nessa fé, com o testemunho da comunidade nas tradicionais novenas de Natal, de Nossa Senhora Aparecida – essa, inclusive, me recorda D.ª Geraldinha com seus esmaltes vermelhos e saúde frágil a cantar, puxando o fôlego: “Rezemo, rezemo, num faz por esquecido! Rezemo a Nossa Senhora, Virgem da Aparecida” – e com as Missas uma vez ao mês.
Quem me fez pensar em ser padre foi o Côn. Ricardo Luiz que até fez o convite, mas eu ainda não tinha pensado a respeito até àquele momento. Sua alegria de ser padre, de cativar a todos, era diferente. O primeiro padre a ir lá em casa. Foi o evento! Limpamos até debaixo do paiol… Enfim, depois que o Côn. Ricardo foi para outra missão, comentei com mãe, enquanto nos aquecíamos ao fogo do fogão de lenha: “acho que quero ser padre…”. Não me recordo se ela deu muito assunto, afinal, nas gerações familiares não havia ninguém que tenha buscado esse caminho, ainda mais eu, um tanto jeca. Mas ela falou com minha irmã, Aninha, que comunicou ao Pe. Darci, por ser engajada na paróquia na época. Então, ele me chamou para uma experiência de trabalho na paróquia, ao passo em que foi me conhecendo e me enviou para os encontros vocacionais no Seminário, isso no final de 2013. Já fui aceito pela formação (Pe. Frederico, Pe. Gilmar e Pe. Wiver), mas decidi por fazer um ano completo de acompanhamento vocacional e ingressei no Seminário em 2015.
Foi um tempo muito bom! Mas é necessário que estejamos sempre prontos para receber os auxílios da Graça de Deus e, nessa caminhada primeira, eu me perdi, fui tomado pela dúvida, pela insegurança que carregava e não soube receber tudo o que a formação podia me oferecer, não me permiti ser formado. Então, fui colocando minhas dificuldades, angústias e mazelas trancadas em mim ao ponto de ir embora do Seminário ao final de março de 2019.
Mas o Senhor nunca se cansa de vir a nosso favor, então, neste tempo em que experimentei o vazio espiritual, fui ocupando meu tempo, além do trabalho, com o servir na vida da Igreja até o final de 2019. Com isso, Deus se valeu do Pe. André, que foi o instrumento usado por Deus para que eu retomasse minha vida com Ele. O ponto de partida para essa redescoberta foi o EJC. E durante 2 anos, 2020 e 2021, Pe. André me acompanhou mais de perto, agora, não mais vazio, mas preenchido pela Graça de Deus que agia em mim pela abertura que dei para o Senhor trabalhar em minhas fragilidades.
Assim, retornei ao Seminário em 2022, mas dessa vez, mergulhei nas minhas dificuldades e fraquezas, para conhecê-las e apresentá-las a Deus para que fossem trabalhadas com o que a formação (Pe. Darlan, Pe. Alam e Pe. Adão) poderia me oferecer. Vivi muito melhor esse tempo de Graça.
Compreendo que o despertar vocacional que me veio pelo testemunho do saudoso Côn. Ricardo Luiz foi possível porque, desde criança, as coisas de Deus fizeram parte da minha vida, pelos meus pais que fizeram o que lhes foi possível para que caminhássemos com Deus. É do berço que Senhor trabalhou em mim para que eu, nas minhas imperfeições, o correspondesse.