O amor venceu: Cristo ressuscitou!
“Jesus, o Filho de Deus, entrou no céu. Por isso, permaneçamos firmes na fé” (Hb. 4,15)
De Jerusalém a gruta de Belém, este é o itinerário para compreender o mistério do Deus de Jesus Cristo que entra na história e a redime. A partir da cruz, do amor que dá a vida, fazemos leitura da ação divina que atua no tempo e plasma o novo sentido da nossa existência. O passado é resgatado, o presente é iluminado e o futuro inundado de garantida esperança. O menino da manjedoura se revela Deus santo, Deus forte, Deus imortal!
O Deus crucificado e ressuscitado é manifestação da misericórdia divina no mundo que alcança a pessoa, a comunidade e a história, para que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). No Calvário nos foi dado conhecer o Deus que ama indiscriminadamente santos e pecadores, sábios e ignorantes, pois todos são herdeiros do amor, filhos no Filho. Jesus Cristo assume gratuitamente a causa dos despossuídos desta terra e se propõe parceiro dos que n’Ele creem, irmanando-se na defesa da vida e da dignidade humana.
Aos que mataram Jesus o Pai responde com a força da ressurreição e este triunfo da vida reclama à nossa fé. Crer é ato de amor e proclamar fé na ressurreição será, por consequência, defender e proteger a vida, em todas as suas dimensões. Professa fé em Jesus ressuscitado quem sente, ama e vive como Ele, convertendo pensamentos e atitudes conforme o seu Evangelho.
O Deus que ressuscita Jesus é Deus dos vivos e não dos mortos. Sua razão de ser é a vida, instaurando o Reino da justiça, do amor e da paz. Em Jesus, Deus mesmo assume a condição da humanidade ameaçada e vilipendiada pelas forças do mal, a partir do coração da história, para nos resgatar das garras da morte. Portanto, a última palavra já está dita. Nenhuma potência humana, nenhum ditador, nem a força dos exércitos e das armas ou o poder do dinheiro decidirá o nosso destino. O amor de Deus que ressuscitou Jesus garante a vitória derradeira dos seus filhos e filhas, de todo o criado.
Vivemos em um cenário mundial de extrema complexidade. Guerras aos pedaços, variadas e múltiplas, implicam o mundo inteiro e trazem de volta o fantasma da destruição atômica global. Também no âmbito pessoal sobejam angústias e incertezas. Grande é a tentação de concluir que o mal vencerá o bem. A Páscoa cristã subverte esta lógica macabra que nos coloca à beira do abismo da desesperança. Proclamamos pela fé que o Filho de Deus se encarnou numa realidade de opressão, sofreu, morreu e venceu ressuscitando. Esta é a certeza que ancora em um porto seguro quem crê na sua ressurreição e se faz discípulo e discipula desse Deus-Senhor da vida.
A Campanha da Fraternidade deste ano, uma vez mais, nos ajudou a rezar com a realidade circundante e da qual não devemos estar alheios: “Fraternidade e Moradia – o Senhor veio morar entre nós!” (Jo1,14). Não estamos relegados à nossa própria sorte e, na parceria d’Ele conosco, podemos transformar a realidade da exclusão e da indiferença com o compromisso social-cristão de terra, teto e trabalho digno para todos, como expressão “sacramental” de um povo em continuado processo de ressurreição.
Nunca foi fácil, a cruz não indica para facilidades, o mal e a morte nos espreita, mas o amor venceu e vencerá sempre! Creia: Jesus Ressuscitou! Com Ele e por Ele nós também ressuscitaremos aqui em nossa história e, plenamente, no amanhã eterno!
Que este anúncio diga da disposição do nosso coração em botar fé na vida, na luta renhida contra o pecado e todos os mecanismos geradores do mal e da morte. Amém!
Feliz e Santa Páscoa da Ressurreição do Senhor!
Vida abundante para você e sua família!
São os votos do Arcebispo e de todo o clero!

Proclamemos na liturgia a Páscoa do Cristo e a nossa Páscoa
“Ó noite em que a coluna luminosa as trevas do
pecado dissipou,
e aos que crêem no Cristo em toda a terra
em novo povo eleito congregou!
Pois esta noite lava todo crime, liberta o pecador
dos seus grilhões;
dissipa o ódio e dobra os poderosos,
enche de luz e paz os corações.
“Exulte o céu e os anjos triunfantes,
mensageiros de Deus desçam cantando.
Façam soar trombetas fulgurantes, a vitória de
um Rei anunciando.
Alegre-se também a terra amiga
que em meio a tantas luzes resplandece.
E, vendo dissipar-se a treva antiga, ao sol do
eterno Rei brilha e se aquece.
Que a mãe Igreja alegre-se igualmente
erguendo as velas deste fogo novo.
E escutem reboando de repente,
o ALELUIA cantado pelo povo”.
