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Homilia-Solenidade de São Pedro e São Paulo-28 de Junho de 2026

1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 12, 1-11

Salmo: 33 (34)

2ª Leitura: 2 Timóteo 4, 6-8. 17-18

Evangelho: Mateus 16, 13-19

Em todas as Missas deste sábado e domingo, no Brasil, por determinação da CNBB, celebra-se a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Comemora-se, portanto, o dia do Papa. Neste dia, as ofertas são destinadas ao Óbolo de São Pedro, que sustenta a caridade do Papa: apoio a famílias pobres em países em crise, ajuda a refugiados, socorro a vítimas de desastres naturais, apoio a hospitais, escolas e projetos sociais em regiões carentes, manutenção de igrejas e preservação de obras culturais ligadas ao Vaticano, além das atividades do Papa e da Cúria Romana. O Óbolo de São Pedro nos recorda a importância da comunhão e da solidariedade na vida eclesial.

As leituras de hoje nos convidam a abrir o coração para a Palavra de Deus, deixando que ela ilumine nossos passos e fortaleça nossa fé e missão.

A primeira leitura descreve um episódio da Igreja primitiva: entre os anos 41 e 44 d.C., Herodes Agripa I perseguiu a comunidade cristã de Jerusalém. Mandou executar Tiago, filho de Zebedeu, e prender Pedro, que teria o mesmo destino de Cristo; porém, um anjo o libertou milagrosamente da prisão. Este acontecimento fortaleceu a fé dos cristãos e evidenciou a importância da Igreja unida em oração.

Ao longo de sua vida, Pedro cumpriu sua missão com um testemunho de fé inabalável, que se manteve firme até alcançar o martírio em Roma, por volta do ano 64 d.C. Segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo, gesto que expressa sua humildade diante de Cristo. Na iconografia católica, sua figura é representada com as chaves da Igreja em suas mãos, símbolo de sua autoridade espiritual e de sua missão como guardião das portas da salvação.

Assim como Pedro nos ensina a confiar na oração, Paulo nos mostra que a missão exige perseverança e entrega total. Antes de se tornar o grande apóstolo dos gentios, sua trajetória era bem diferente: Saulo de Tarso, judeu fariseu, cidadão romano, perseguidor dos cristãos e aprovador da morte de Estêvão. No entanto, uma experiência decisiva no caminho de Damasco transformou radicalmente sua vida e missão. A partir desse encontro com Cristo, Paulo tornou-se um dos maiores anunciadores do Evangelho. Na leitura que ouvimos, já às vésperas de seu martírio, Paulo escreve a Timóteo com serena firmeza: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”.

São Paulo sofreu o martírio no ano 67 d.C., executado por decapitação em Roma durante o reinado de Nero. Por ser cidadão romano, teve o direito de morrer pela espada. Na tradição artística, sua imagem traz uma espada, referência ao modo de sua morte, e um livro, símbolo das numerosas cartas teológicas que deixou como legado. Sua vida nos inspira a perseverar na fé e manter firme a esperança, mesmo diante das provações.

O testemunho de Pedro e Paulo nos prepara para compreender o Evangelho, onde a identidade de Jesus como Messias se revela plenamente. Pedro, libertado da prisão, e Paulo, transformado de opositor em apóstolo, são sinais vivos de que a Palavra de Deus é força que liberta, converte e dá sentido à missão.

Como o povo e seus discípulos ainda não tinham clareza de que Jesus era o Messias esperado, Ele pergunta, provocando uma resposta que manifesta sua identidade messiânica. Ao perguntar aos discípulos o que o povo dizia a respeito Dele, Jesus queria que eles e o povo o reconhecessem como Messias enviado, cuja missão é trazer esperança e libertação para todos.

Naquele tempo, o povo esperava um Messias glorioso, lutador valente, que tomaria armas e expulsaria os romanos de seu território, libertando sua pátria. O perfil de Jesus não era esse: Ele veio ensinar o amor, a verdade, a fraternidade, a justiça, a paz, e denunciar a falsidade do culto ao imperador romano.

Deus revelou a Pedro que Jesus era o Messias, o Filho de Deus. “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (v.16). Em outras palavras, isto significa: nós acreditamos que tu és realmente o Salvador prometido.

Jesus disse-lhe: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus.”

Para aqueles que perguntam: Onde está escrito que Jesus fundou a Igreja? Onde está escrito que Pedro foi o primeiro Papa? Este Evangelho (Mt 16,13-19) nos mostra claramente. Portanto, a Igreja Católica festeja sua fundação pelo próprio Jesus. E Deus está conosco. As portas do inferno nada são diante do seu poder! Pedro foi o primeiro Papa.

Ambos, corajosos e iluminados pelo Espírito Santo, enfrentaram frio, tempestades, naufrágios, perseguições e prisões, e não desistiram de sua missão. Portanto, a fé que temos e que praticamos hoje é uma herança desses dois pilares da Igreja. Pedro, apesar de ter negado Jesus três vezes, foi perdoado e escolhido por Ele.

Paulo, que perseguia os cristãos daquela época, foi transformado pelo próprio Jesus no caminho de Damasco. Pela força e poder de Deus, foi perdoado e convertido de inimigo dos cristãos em missionário do Reino de Deus. Paulo recebeu o dom de explicar as Sagradas Escrituras de uma forma que todos entendessem. Ele disse que não era ele quem vivia, mas Cristo que vivia nele. Paulo sentia que suas ações e palavras não vinham dele, mas de Cristo.

Que o testemunho de Pedro e Paulo nos fortaleça na fé e nos impulsione a viver com alegria a missão que Cristo nos confiou. Eles nos mostram que, apesar das fraquezas humanas, a graça de Deus transforma e fortalece. Assim, sejamos também pedras vivas na construção da Igreja, unidos na oração, na solidariedade e na missão de anunciar o Evangelho com alegria e esperança.

Pe. Afonso Gomes de Melo.
Quase-Paróquia Nossa Senhora de Fátima,
Distrito de Contrato – Itamarandiba/MG

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