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Homilia – Sábado Santo, 4 de abril de 2026

1ª Leitura: Gênesis 1, 1. 26-31a (forma breve)
Salmo: 103

2ª Leitura: Gênesis 22, 1-2. 9a. 10-13. 15-18 (forma breve)
Salmo: 15

3ª Leitura: Êxodo 14, 15-15, 1
Salmo: Êx 15, 1-6. 17-18

4ª Leitura: Isaías 54, 5-14
Salmo: 29

5ª Leitura: Isaías 55, 1-11
Salmo: Is 12, 2-6

6ª Leitura: Baruque 3, 9–15. 32–4, 4
Salmo: 18B

7ª Leitura: Ezequiel 36,16-17a.18-28
Salmo: 50

8ª Leitura: Romanos 6, 3-11

Evangelho: Mateus 28, 1-10

Queridos irmãos e irmãs, esta noite santa é diferente de todas as outras. É a noite em que a Igreja inteira se reúne em vigília, rememorando a história da salvação e celebrando a vitória definitiva de Cristo sobre a morte.

As leituras que escutamos nesta noite nos conduzem como por um caminho iluminado. Iniciamos pela criação, quando Deus fez todas as coisas boas e contemplou a obra de suas mãos. Seguimos pela fé de Abraão, que confiou plenamente no Senhor e se tornou modelo de obediência. Atravessamos com Israel o Mar Vermelho, passagem que marca a ruptura definitiva com o passado de opressão e inaugura o futuro de liberdade. Não há retorno possível: o mar se fecha, os inimigos são derrotados, e diante do povo abre-se uma nova caminhada. É proclamada a libertação de um povo. O cântico de Moisés, que celebra esta vitória, é a expressão poética da mesma realidade: Deus libertou o seu povo.

Prosseguindo, ouvimos a voz dos profetas, que anunciam o amor eterno de Deus e a promessa de um coração novo. Cada etapa desse percurso revela a ação constante do Senhor, que guia, liberta e renova seu povo, preparando-o para a plenitude da vida em Cristo. Tudo isso nos prepara para o grande anúncio: Cristo ressuscitou!

Este anúncio encontra sua explicação na carta de São Paulo que nos lembra de que pelo Batismo fomos mergulhados na morte de Cristo para ressuscitar com Ele. Isso mostra que a ressurreição não é apenas um fato do passado, mas uma realidade que transforma nossa vida hoje.

O Evangelho confirma esta realidade: as mulheres que, ao despontar o primeiro dia da semana, o Domingo, dirigem-se ao túmulo vazio. Elas se tornam as primeiras testemunhas da ressurreição. Por isso, este dia é celebrado como o Dia do Senhor. Desde os primórdios, os cristãos se reúnem neste Domingo para recordar o acontecimento central da fé: a ressurreição de Jesus Cristo. A história de Jesus não se encerra na morte, para maior clareza, Ele venceu a morte e ressuscitou. Esta é a verdade fundamental que sustenta e dá sentido à vida da Igreja.

A missão dos discípulos consiste em dar continuidade ao anúncio desta realidade, proclamando em todos os lugares e em todos os tempos que Cristo vive. A ressurreição transforma o temor da morte em júbilo de vida. Assim, cada cristão é chamado a realizar, com o Senhor, a passagem pascal: da escuridão para a luz, da morte para a vida, da tristeza para a alegria.

Nesta noite, renovemos nossa fé. Que a chama do Círio Pascal reacenda em nós a confiança: não estamos sozinhos, o Senhor caminha conosco. E que, ao celebrarmos a ressurreição, possamos viver como ressuscitados, espalhando sinais de vida nova onde houver dor, medo, morte ou desesperança.

A Vigília Pascal nos ensina que não há noite tão escura que não possa ser vencida pela luz de Cristo. Em nossos dias, essa luz se traduz em esperança diante da violência, diante das guerras, das calamidades da existência, em coragem diante da injustiça, em cuidado diante da criação ferida, e em solidariedade diante da dor humana.

Celebrar a Páscoa é assumir o compromisso de sermos testemunhas da vida: onde houver medo, levar confiança; onde houver ódio, semear amor; onde houver morte, proclamar a vitória da ressurreição.
Cristo ressuscitou, e isso transforma tudo, inclusive a forma como vivemos hoje. Aleluia!

Pe. Afonso Gomes de Melo.
Quase-Paróquia Nossa Senhora de Fátima,
Distrito de Contrato – Itamarandiba/MG

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