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Homilia – Domingo de Ramos, 29 de março de 2026

Evangelho: Mateus 21, 1-11

1ª Leitura: Isaías 50, 4-7

Salmo: 21(22),8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)

2ª Leitura: Filipenses 2, 6-11

Evangelho: Mateus 27, 11-54

Com a celebração do Domingo de Ramos, conclui-se a caminhada quaresmal, dando início ao tempo sagrado da Semana Santa. Este dia nos introduz no mistério central da fé cristã, preparando-nos para acompanhar os passos de Cristo em sua paixão, morte e ressurreição.

O Senhor Jesus, em sua preparação, manifestou o ardente desejo de reunir-se pela última vez com seus discípulos. Contudo, embora estivesse rodeado por muitos, ainda não se encontrava plenamente acompanhado por verdadeiros discípulos.

A celebração litúrgica de hoje nos coloca diante da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, acolhido com ramos e aclamações, mas também nos conduz à contemplação do mistério da cruz. É um dia marcado pela alegria da acolhida e pela seriedade do caminho que se abre diante de nós: o caminho da entrega total por amor.

Ao levantarmos nossos ramos, proclamamos nosso desejo de seguir o Cristo humilde, que vem trazendo paz e misericórdia. Essa atitude de fé encontra sua raiz na narrativa do Evangelho de Mateus: Jesus entra em Jerusalém e, pela única vez, aceita ser aclamado pelo povo simples, que agita ramos e clama: “Hosana ao Filho de Davi”. Sem pompa, apresenta-se como um Rei diferente, servo e obediente ao Pai, revelando que o verdadeiro reinado se manifesta na simplicidade, no amor e no perdão. Esse gesto contrasta com nossa realidade, pois frequentemente buscamos reconhecimento e poder, esquecendo que a verdadeira grandeza está em servir e amar. Inspirados por sua entrada simples, somos chamados a viver o “Hosana” em gestos concretos: visitar enfermos e idosos, oferecer perdão a quem nos feriu, ou dedicar tempo à comunidade em ações solidárias.

O Cristo que entra em Jerusalém é o mesmo Servo anunciado por Isaías: humilde, perseverante e próximo dos que sofrem. Essa revelação encontra sua plenitude no hino de Filipenses, onde Paulo apresenta o mistério do “esvaziamento” (Kênosis): Cristo se despojou de sua condição divina, assumindo a forma de servo e tornando-se obediente até a morte de cruz. Esse gesto radical nos ensina que, para servir ao próximo e garantir-lhe dignidade, muitas vezes precisamos abrir mão de nossos próprios privilégios.

O grande Rei, Servo obediente, entra aclamado, mas logo é traído e condenado. O mesmo povo que gritava “Hosana” pede a libertação de Barrabás e clama “Crucifica-o”. Também nós, muitas vezes, proclamamos seguir Cristo, mas o negamos com nossas atitudes de egoísmo e falta de amor.

Meus irmãos e irmãs, façamos o caminho com o Cristo da humildade e do perdão, sobretudo nas tribulações. Na dor ou na alegria, na fartura ou na escassez, recordemos que Ele sofreu por amor a nós e permanece conosco.

Vivemos um tempo de tristeza e alegria: tristeza, porque lembramos o Cristo maltratado e porque nossos pecados ainda ferem o Senhor; alegria, porque Ele entra na Jerusalém de nossos corações e nos dá esperança de vida nova.

Caros irmãos na fé, ao iniciarmos esta Semana Santa, caminhemos com Cristo até o Calvário e até a vitória da ressurreição. Que cada gesto de fé, levantar os ramos, participar da liturgia, servir ao próximo, seja expressão concreta de nosso Hosana. Assim, não seremos apenas parte da multidão, mas discípulos autênticos que seguem o Senhor na humildade, no amor e na esperança, mesmo no calvário da existência, no desprezo do mundo e nas mazelas da vida. O Salmo nos recorda que o sofrimento não é a última palavra: Deus permanece fiel e transforma a dor em esperança.

A Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), recorda que Jesus quis habitar conosco e nos ensina que a moradia é sinal de dignidade e acolhimento. Ao acolhermos o Rei humilde, somos chamados a transformar nossa fé em gestos concretos de solidariedade, especialmente junto aos que não têm um lar digno. Reflitamos!

Pe. Afonso Gomes de Melo.
Quase-Paróquia Nossa Senhora de Fátima,
Distrito de Contrato – Itamarandiba/MG

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