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Homilia – 17º Domingo do Tempo Comum – 26 de Julho de 2026

1ª Leitura: 1 Reis 3, 5.7-12

Salmo: 118(119)

2ª Leitura: Romanos 8, 28-30

Evangelho: Mateus 13, 44-52

A liturgia deste 17º Domingo dá continuidade ao tema dos domingos anteriores: o Reino de Deus é o valor supremo e exige discernimento, fidelidade e renúncia. Para viver essa realidade, é preciso sabedoria para distinguir o que é primordial do que é secundário. É nesse ponto que entra a figura de Salomão, que nos ensina a pedir o essencial. Muito jovem e escolhido para ser rei de Israel, Salomão se apresenta diante de Deus. Ele poderia pedir o que quisesse, mas suplica: “Senhor, conceda-me sabedoria, conceda-me um coração compreensivo, capaz de governar o seu povo e de discernir entre o bem e o mal”. Essa solicitação agradou a Deus, porque Salomão não pediu vida longa, nem riquezas, nem a morte de seus adversários, mas apenas a sabedoria para praticar a justiça e fazer a vontade divina. Por isso, o Senhor atendeu ao seu pedido.

Nós, muitas vezes, nos preocupamos em pedir tantas coisas a Deus: saúde, uma vida melhor, paz e prosperidade. Não é errado pedir isso, cada um sabe das suas necessidades. Porém, frequentemente nos esquecemos de pedir o essencial, o fundamental, como fez Salomão.

Caríssimos irmãos e irmãs, em nossas orações, que saibamos pedir os dons do Espírito Santo, o discernimento, a capacidade de amar sem medidas e tudo o que for útil para contemplarmos o mistério do Reino de Deus.

O salmista proclama que sua maior herança é viver segundo os mandamentos do Senhor. A Palavra Divina é apresentada não apenas como norma, mas como fonte de alegria, tesouro mais precioso que ouro e prata, consolo nas dificuldades e guia contra a falsidade. Amar a lei do Senhor é amar a própria vida, pois nela encontramos paz, esperança e segurança. Aqui se estabelece a conexão com o pedido de Salomão: ambos reconhecem que o verdadeiro valor está na sabedoria e na fidelidade à Palavra de Deus, que ilumina e orienta o caminho.

Na carta aos Romanos, Paulo nos leva a refletir sobre a eficácia do amor de Deus em nossa vida. Para ele, todo homem que chega a este mundo mergulha num contexto de pecado que o marca e condiciona (Rm 1,18-3,20); no entanto, Deus, na sua bondade, oferece gratuitamente ao pecador a sua graça e dá-lhe a possibilidade de alcançar a salvação (Rm 3,21-4,25). É em Jesus Cristo que esse dom de Deus se comunica ao homem (Rm 5,1-7,25). Neste contexto, Paulo fala “daqueles” que Deus “predestinou” para viverem à imagem de Jesus, que “chamou”, “justificou” e “glorificou”. Estes versículos não devem ser entendidos como se a salvação fosse destinada apenas a um grupo restrito de predestinados, escolhidos por critérios que nos escapam. O projeto salvador de Deus está aberto a todos os que querem acolhê-Lo. O que Paulo sublinha é que se trata de um dom gratuito de Deus, previsto desde toda a eternidade.

No Evangelho, para que pudéssemos compreender a importância do Reino, Jesus o comparou a um tesouro escondido no campo, que enche de alegria e entusiasmo quem o encontra, de modo que vende tudo para comprar aquele campo e ser dono do tesouro.

É claro: não compramos o Reino de Deus. Não é isso que a parábola quer dizer. Jesus nos ensina que o Reino deve ser prioridade em nossas vidas, o mais importante, enquanto o resto fica em segundo plano. Portanto, conscientizemo-nos de que é compensador colocar o Reino em primeiro lugar.

Vender tudo significa renunciar ao poder e à riqueza, às coisas mundanas e supérfluas, à ganância e à exploração; significa lançar fora a inveja, o orgulho, o rancor, o egoísmo e outras impurezas. Enfim, repelir tudo o que nos impede de viver segundo os critérios de Deus.

Esse é o preço da pérola e do tesouro que tanto almejamos. Preço altíssimo, mas que vale a pena! Vale o sacrifício. A alegria será compensadora ao vislumbrarmos a beleza e o esplendor de joias tão raras. Como disse São Paulo: “Maravilhas que os olhos humanos jamais viram e que a mente humana jamais imaginou” (1Cor 2,9). Por conseguinte, não devemos adiar o momento de nos decidir definitivamente pelo Reino de Deus.

A terceira parábola nos apresenta a rede lançada ao mar, que recolhe peixes de toda espécie. Quando cheia, os pescadores separam os bons dos ruins. É a imagem do juízo final, em que os anjos separarão os justos dos maus.

Seremos avaliados de acordo com nossas opções. Os que abraçaram o valioso tesouro do Reino de Deus (os bons) serão separados dos que não o escolheram e se deixaram levar pelas ilusões do mundo. Que no dia do juízo possamos rezar como o salmista: “Como eu amo, Senhor, vossa lei, vossa Palavra! É esta a parte que escolhi por minha herança: observar vossas palavras, ó Senhor! A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata”.

Assim, o Reino de Deus se constrói na fidelidade às pequenas escolhas diárias, e não apenas em grandes empreendimentos. Do mesmo modo que Salomão pediu sabedoria para discernir o bem do mal, manifestamos o Reino por meio de atitudes cotidianas de honestidade, solidariedade, oração e perdão. Reflitamos sobre o Reino de Deus e seu valor incalculável!

Pe. Afonso Gomes de Melo.
Quase-Paróquia Nossa Senhora de Fátima,
Distrito de Contrato – Itamarandiba/MG

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