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Homilia – 14º Domingo do Tempo Comum – 05 de Julho de 2026

1ª Leitura: Zacarias 9, 9-10

Salmo: 144(145)

2ª Leitura: Romanos 8, 9.11-13

Evangelho: Mateus 11, 25-30

A liturgia deste domingo nos ensina que Deus, em oposição ao mundo atual, que valoriza a grandeza dos poderosos, não se revela na arrogância, no orgulho ou na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade, na pobreza e na pequenez dos humildes. As Leituras de hoje nos revelam essa verdade. Essa revelação divina, que se manifesta na humildade e na simplicidade, encontra expressão concreta já na primeira leitura: o convite do profeta Zacarias para se alegrar com a vinda do rei chama atenção por um motivo muito simples. Nos tempos antigos, a chegada de um rei a uma cidade nem sempre era motivo de alegria. Muitos eram cruéis, incutiam medo, ameaçavam e exploravam o povo com impostos pesados. O povo aguardava, então, a entrada triunfal de um Rei messiânico poderoso. O profeta Zacarias, porém, anuncia a entrada humilde e pacífica de um Rei messiânico, montado não em um cavalo de guerra, mas em um jumento.

Os evangelistas interpretam essa passagem como uma referência clara à entrada de Jesus em Jerusalém. O motivo do júbilo é a vinda do Messias. O Rei que vem é justo, vitorioso, pobre e nobre. Sua montaria reflete exatamente isso: o jumento era símbolo de pobreza e humildade, mas também de nobreza, pois em épocas antigas os nobres o utilizavam como montaria. Jesus, ao entrar em Jerusalém, não se impõe pelo luxo ou pela força de um exército poderoso, mas montado em um jumentinho, trazendo a paz. Com esse gesto, mostra que conquistará o coração dos homens e mulheres com o seu amor, e não pelas armas.

O Salmo nos ajuda a reconhecer que essa mesma humildade é expressão da bondade e da misericórdia de Deus. Ele não apenas se apresenta de forma simples, mas também se inclina para sustentar os que caem e levantar os abatidos. Assim, a liturgia deste domingo nos mostra que a verdadeira grandeza divina se manifesta no cuidado e na fidelidade do Senhor para com os pequenos e necessitados.

Do mesmo modo, São Paulo nos recorda que essa humildade e simplicidade só encontram sentido pleno quando vivemos segundo o Espírito, e não segundo a carne. As nossas obras devem estar em consonância com o pensamento de Deus, e não com a lógica humana. Tudo isso deve acontecer enquanto ainda caminhamos aqui na terra.

Diante dessa revelação que alcança os pequenos e humildes, Jesus não apenas exalta a simplicidade deles, mas também se dirige diretamente a todos os que carregam fardos pesados. Os Apóstolos, ao retornarem da primeira missão, sentem-se cansados, mas alegres e exultantes por terem expulsado até os demônios. É nesse contexto que surge o convite consolador de Jesus, oferecendo descanso e leveza para aqueles que se deixam conduzir pelo seu amor. Ele faz uma oração de louvor, porque a proposta de salvação encontrou acolhimento no coração dos humildes: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.”

Os sábios e entendidos eram aqueles que colocavam jugos e fardos pesados sobre a vida das pessoas, especialmente dos pobres e vulneráveis. No tempo de Jesus, conheciam a Bíblia, mas ditavam exigências e obrigações, prometendo castigos a quem não cumprisse. Detinham o poder religioso e político e se serviam dele para dominar e explorar o povo por meio de leis, imposições e proibições. Isso era um fardo pesado demais para muitos. Os grandes, poderosos, orgulhosos e autossuficientes não perceberam a presença do Reino de Deus e não acolheram a mensagem anunciada por Jesus. Já os pequenos, pobres, humildes e marginalizados acolheram com entusiasmo sua palavra e seu Reino. Deus se nega aos doutos ensoberbecidos pela própria ciência e se revela aos simples, conscientes da própria pequenez.

Então Jesus convida: “Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso… porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.”

Esse convite é dirigido também a nós, que enfrentamos a crise social de nossos dias. Não convém transformar o cansaço em reclamações ou julgamentos, mas em oportunidade para nos aproximarmos de Jesus, colocar seu Evangelho em prática e experimentar a mansidão, a serenidade e a paz de Deus neste tempo tão difícil. O cansaço físico se resolve com descanso e uma boa noite de sono. Mas o cansaço da alma, o desânimo de se doar, precisa da intervenção divina. Muitas vezes, porém, não vamos ao Senhor em nossas orações, pastorais e missas. É preciso ir a Ele com nossos fardos e deixar que nos dê descanso.

Grande parte da carga que carregamos vem da energia que gastamos com nosso orgulho: nossas lutas interiores, ódios, raivas e rancores, tudo aquilo que se opõe à mansidão e à humildade. Isso nos sobrecarrega mais do que o trabalho em si e nos fecha em nós mesmos, impedindo o verdadeiro descanso. Todos nós somos convidados a depor nossos fardos aos pés do altar, em sinal de entrega a Jesus, que nos assegurou: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e eu vos aliviarei.” Que a nossa oração seja um pedido sincero pela graça da humildade e da mansidão, para que possamos viver segundo o Espírito e não segundo a carne. Reflitamos!

Pe. Afonso Gomes de Melo.
Quase-Paróquia Nossa Senhora de Fátima,
Distrito de Contrato – Itamarandiba/MG

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