Homilias, Institucional

[Artigo] O Nascimento de Jesus – O presépio e o Natal

O Natal é um pouso firme na fé, no meio das turbulências da vida. Por isso, contemplo, o retorno de São Francisco de Assis de Roma, depois de ter a permissão do Papa Honório III (1148-1227), para evidenciar o mistério da Encarnação do Senhor (Jo 1,14). Seu desejo se intensificou tanto, que em 1223, em uma gruta em Greccio (Itália), pela primeira vez na história, celebrou e representou o nascimento do Menino na mais viva simplicidade. No presépio, palavra que vem do latim praesepe, cujo significado básico é estábulo, curral, redil, encontramos José, o esposo e companheiro. Maria, a mãe, a mulher forte, companheira pura e fiel. Os Pastores e Sábios os simples e os cultos. A Natureza representada pelas ovelhas e animais, pelo feno e pela gruta. O Universo, o cosmos representado pelas estrelas. A Estrela Guia. Os Anjos mensageiros da boa Nova. O Presépio, é a mensagem visível da harmonia total e plena do universo, da terra, da humanidade com Deus. São João Paulo II em uma de suas homilias de natal, diz: “O Natal é o amor vitorioso assumindo sua lógica de serviço e humildade”. Seu mistério, carrega uma biblioteca de significados. Que o mundo se renda a esta mensagem de amor”.

A Carta Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco traz uma visão mais larga: “Em Deus há unidade na diversidade” Por isso, nestes dias, em nossas Igrejas ouviu-se o termo “Encarnação” de Deus, para exprimir a realidade que celebramos no Santo Natal: o Filho de Deus se fez homem. É o prólogo do Evangelho de João (Jo 1, 14). Desde o primeiro século Santo Inácio de Antioquia e, sobretudo, Santo Irineu, muito falaram da “INCARNATIO”, palavra que segundo o uso hebraico, indica “o homem na sua integralidade, todo o homem, mais propriamente, sobre o aspecto da sua transitoriedade e temporalidade, da sua pobreza e contingência”, como nos atesta o Papa emérito Bento XVI.

Nesta fé, que sinceramente professamos, com o ultimato de mais um ano que termina, nos ornamentamos de símbolos e sentimentos. Nas solenes liturgias erguem-se as mais vivas atenções para erigir o brilho ao que queremos dar luz. Os enfeites nos presenteiam com uma mensagem de alegria. As celebrações vislumbram um ar de festa, pois o que dá sentido é Jesus Menino, celebrado com afeto e gratidão. O Papa Emérito Bento XVI nos diz: “O Advento é, por excelência, o tempo da esperança”. A cada ano se renova o convite. O coração dos cristãos vibra de alegria enquanto se preparam para celebrar o grande acontecimento da humanidade, o nascimento de Jesus. O Papa Francisco diz: “O povo simples tem sempre espaço para albergar o mistério. Na casa dos pobres Deus encontra sempre lugar”. Só o coração simples entende o presépio, a começar pela manjedoura. O Natal me convida a dizer todos os dias: “Eu sei em quem pus minha fé” (2 Tm 1, 12).

Anselm Grün no seu livro fontes de força interior atesta: “A fé consiste na habilidade de visualizarmos um pouse firme no meio das turbulências da vida”. Isso demonstra que cada um tem dentro de si a habilidade de lidar com as dificuldades. Mais ainda, o vencedor dos obstáculos, certamente, tem na lembrança várias experiências de vida. O mesmo aconteceu com José, Maria e Jesus. Santo Irineu afirma: “Este é o motivo pelo qual o Verbo se fez homem, para que este, entrando em comunhão com o Verbo receba a filiação divina”. O Natal nos incentiva a sermos luz (Mt 5, 15) no coração das pessoas e dizer-lhes que tudo é possível para aquele que crê (Mc 9, 23). Que nossas palavras tenham a arte de nos dirigir ao Menino Deus que é “Caminho a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6) dizendo a todos que os obstáculos não são o impossível, mas diferentes desafios nos convidando a novas passagens. Seja Natal. Boas festas, feliz ano novo.

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de letras e Artes de Diamantina – MG- (ALAD)

Membro da Academia Marial de Aparecida – SP

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