“Eu estou no meio de vós como aquele que serve”: A Ordenação Diaconal de Cinco Filhos de Diamantina
Em uma celebração marcada pela emoção, pela memória e pelo sopro do Espírito Santo, a Arquidiocese de Diamantina vivenciou um momento histórico. Diante da assembleia presente e de milhares de fiéis conectados pelos meios digitais e pela Rádio Aranãs de Capelinha, a Igreja particular de Diamantina acolheu cinco novos diáconos para o serviço do Altar, da Palavra e da Caridade.
Retomando o livro dos Atos dos Apóstolos, o Arcebispo recordou as raízes deste ministério: “Convocai homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria”. Desde os primórdios, a Igreja compreendeu que era preciso cuidar do altar e do anúncio do Evangelho, mas sem jamais descuidar da caridade, das viúvas, dos órfãos e das necessidades básicas da comunidade. Assim nasceu o diaconato, uma resposta do Espírito Santo que continua a falar à Igreja de hoje, especialmente nestes tempos de retorno à sinodalidade.
Marcados para o Serviço
O sacramento da Ordem imprime no diácono um caráter indelével. Ele é configurado ao Cristo que se fez servidor. O Arcebispo explicou com clareza a natureza deste ministério: pelo rito, o diácono torna-se um alter Christus (um outro Cristo) nas funções que lhe competem.
As mãos do bispo lhes são impostas não para o sacerdócio, mas para o serviço. Eles coadjuvam na Eucaristia, levam o viático aos enfermos, assistem aos matrimônios, proclamam o Evangelho, presidem as exéquias e dedicam-se às obras de caridade. Contudo, o Arcebispo alertou contra uma visão puramente utilitarista: a essência do diácono não está apenas no que ele faz, mas no testemunho de ser um outro Cristo no meio da comunidade.
Um Marco Histórico: O Diaconato Permanente
Por quase mil anos, a Igreja viveu o diaconato apenas como um passo transitório rumo ao sacerdócio. Contudo, desde o Concílio Vaticano II, o diaconato permanente voltou a florescer. Em Diamantina, que já conta com o testemunho do diácono Valdivino, a ordenação do Major Edison abre um novo e fecundo capítulo dessa história.
Filho do distrito de São João da Chapada, Major Edison foi coroinha ainda nos tempos da missa em latim (o que, com bom humor, o Arcebispo notou evidenciar que ele “já não tem 18 anos”). Chegou a iniciar os estudos no seminário in illo tempore, mas deixou a formação para ajudar os pais, Valdemar e Maria da Luz. Construiu uma bela família com sua esposa Maria Luiza, gerando três filhas e sete netos. Aposentado como Major da Polícia Militar, ele encontrou na Paróquia do Bom Jesus um campo vasto para servir: como catequista, ministro, músico e atuante nos encontros de jovens e casais (EAC, EJC e ECC). Sua ordenação coroa uma vida inteira de dedicação à fé.
Vocações Nascidas na Comunidade
Além do diaconato permanente, a Igreja de Diamantina alegrou-se com a ordenação de quatro diáconos transitórios, que caminham rumo ao sacerdócio presbiteral. O Arcebispo destacou que, para quem crê, não existe acaso: tudo é providência. Cada um deles trilhou um caminho único:
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Álvaro Vitor (Várzea da Palma): Sua vocação despertou de forma decisiva durante uma festa de Nossa Senhora de Fátima, após participar do EAC, através de um convite direto do Padre Reinaldo: “Você nunca pensou em ser padre?”. Com o apoio dos pais, Vânder Lúcio e Aline, e de seus formadores, encontrou na comunidade o lugar privilegiado para renovar seu primeiro amor.
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Gesley Júnio (Capelinha): Sua semente vocacional brotou na catequese familiar, apoiado pelos pais Sebastião e Lindauria. O encantamento do menino com as novenas de Natal e o testemunho alegre do saudoso Cônego Ricardo Luiz foram fundamentais. Após idas e vindas no processo formativo, consolidou seu chamado com o amparo de diversos padres e da equipe do seminário.
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João Paulo (Capelinha): Uma jornada de perseverança que durou quase 26 anos. Ao longo desse tempo, formou-se em Direito e atuou como advogado da Mitra Arquidiocesana. Sua grande inspiração veio dos tempos de coroinha do Venerável Cônego José Gabriel, em Capelinha. Manteve-se fiel ao discernimento, colaborando sempre com as paróquias por onde passou, até o acolhimento definitivo de sua vocação.
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Pedro Lucas (Presidente Kubitschek): Caçula de cinco irmãos, brincava de celebrar missa na infância. A influência familiar foi forte, inspirada pela tia missionária comboniana na África e pelo tio sacerdote claretiano. A decisão, no entanto, consolidou-se em eventos marcantes com a juventude: a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro (2013) e a primeira Romaria Arquidiocesana a Aparecida (2017).
Na Contramão da Mundanidade
Ao final da homilia, o Arcebispo dirigiu aos cinco ordinandos uma exortação firme e paterna. Lembrou-lhes de que a obra da evangelização pertence a Deus e de que, embora os ministros sejam vasos de barro, é o Senhor quem lhes confia a construção do Seu Reino.
“Álvaro, Gesley, João Paulo, Pedro Lucas e Edison: no falar e no agir, estejam sempre na contramão da mundanidade, que faz o prepotente, que faz o arrogante, que faz o vaidoso, o sedento de poder. (…) Suplico-lhes, sejam testemunhas da verdade de Cristo, para que vocês se recomendem com autoridade evangélica a toda a consciência humana.”
Inspirados pelo lema que escolheram — “Eu estou no meio de vós como aquele que serve” —, os novos diáconos foram convidados a assumir a mesma atitude de entrega livre da Virgem Maria (“Faça-se em mim a tua vontade”) e a seguir, com coragem, paixão e a intercessão de Santo Antônio, na grandiosa missão de levar o Evangelho ao mundo.
