O ano letivo da rede municipal e estadual já começou! E todo o processo educativo se inicia com novas esperanças, expectativas, sonhos e projetos. Tanto os docentes como os discentes carregam em seus corações anseios profundos em todo o decorrer do processo educativo. Certamente nem todos os anseios ou propostas pessoais e coletivas terão êxito, porém não se pode estagnar em realidades que não deram certo. Sempre há novas oportunidades, meios e modos de se atingir fins pretendidos.
A educação, para produzir bons frutos, não depende apenas de uma parte, mas de todos os envolvidos. Ao mesmo tempo que a educação é um direito constitucional de todos, requer que todos estejam atentos e abertos as suas exigências e propostas de participação ativa. Todos os professores, alunos e os familiares requerem estar em plena sintonia e comunicação para que o processo educativo seja de qualidade, participativo e produtivo. É uma verdade indubitável de que “ninguém educa sozinho” (Papa Leão XIV; Carta Apostólica, 2025, nº. 3.1).
Em um mundo marcado pela polarização, guerras, ideologias, discursos de ódio, fake-news e pela banalização do bem comum e da pessoa humana, a educação tem sua missão de formar para o bem comum social, humano e integral. Dessa maneira, o “Pacto Educativo Global” (Papa Francisco) chama a nossa atenção para a união de forças para que o processo educativo seja, de fato, humanizador. Educando para a solidariedade, para a empatia, o respeito, para o diálogo, a paz e demais virtudes fundamentais da vida em sociedade e em família.
Levando em conta os processos de mudanças e transformações da sociedade e da cultura, a educação também exige ser reinventada e urge encontrar novas formas e técnicas para fazer com que o processo educativo atinja a mente e os corações de modo mais eficazes. Cada geração tem seus desafios e necessidades, cabendo aos educadores e as instituições educacionais avaliar, refletir e apontar novos rumos. Até mesmo as instituições religiosas têm seu papel no contexto da educação, sendo que “a formação cristã, [e toda formação], abarca toda a pessoa: espírito, intelecto, esfera afetiva, social, corporal” (Papa Leão XIV; Carta Apostólica, 2025, nº. 4.2).
Vale ressaltar o que nos ensina a declaração do Vaticano II sobre a Educação: “A autêntica educação no entanto visa o aprimoramento da pessoa humana em relação a seu fim último e o bem das sociedades de quem o homem é membro, e em cujas tarefas, uma vez adulto, terá de participar” (Gravissimum Educationis, nº 4). O ser humano tem um fim, que é chegar ao conhecimento pleno de Deus, além de si mesmo e do outro, bem como, no tempo presente, deve tomar parte na construção justa e digna da sociedade humana. Dessa forma, ser formado para o senso crítico e de participação social é o que o processo formativo precisa realizar e a pessoa assumir em sua vida pessoal.
A educação que transforma em rede leva em consideração a participação corresponsável de todos, a começar pelas famílias – “A família é, pois, a primeira escola de virtudes sociais de que precisam todas as sociedades” (Gravissimum Educationis, nº 3). Certamente, pelo seu processo histórico de fomento a educação, a Igreja Católica também tem sua missão e responsabilidade, tanto no que diz respeito as instituições existentes como dos pastores em suas comunidades de acompanhar, mais de perto, as ações educativas, além de diretamente formar/catequisar para a vida. “A Santa Mãe Igreja tem sua responsabilidade quanto ao progresso e expansão da educação” (Ibid, Proêmio), considerando o mandato de seu fundador, Jesus Cristo, de cuidar de toda a vida humana, de sua vocação e de seu destino, que é a morada celeste.
Pe. Valmir Rodrigues Pereira
Coordenador da Pastoral da Educação
Viágrio Forâneo do Serro




