1ª Leitura: Êxodo 19, 2-6a
Salmo: 99(100), 2.3.5
2ª Leitura: Romanos 5, 6-11
Evangelho: Mateus 9, 36-10,8
A liturgia deste Domingo nos recorda que Deus chama, forma e envia o seu povo para ser sinal vivo de sua misericórdia no mundo.
Na primeira leitura, contemplamos Deus escolhendo as doze tribos de Israel como nação consagrada. Após a libertação do Egito e a travessia pelo deserto, o Senhor propõe uma aliança no Monte Sinai: se o povo escutasse sua voz e permanecesse fiel, seria para Ele um reino sacerdotal e uma comunidade santa. Contudo, Israel muitas vezes se desviou, preferindo outros deuses e falsos guias.
Também conosco acontece assim: fomos libertos da escravidão do pecado e conduzidos à luz divina, que ilumina cada passo da nossa vida. Ele nos instrui, corrige e alerta contra os perigos da caminhada, mas ao mesmo tempo revela o Seu amor e a predileção por nós. Entre tantos povos, fomos escolhidos como “porção eleita”; chamados a celebrar e servir, edificando o Seu reino na terra, somos constituídos como povo sacerdotal.
No Batismo, recebemos o sinal da Cruz, marca que nos orienta para a santidade e a justiça, vivendo já sob a vontade do Pai que nos criou para Si. Por isso, formamos uma “nação santa”. Este é o nosso ideal e a nossa missão: não apenas garantir que nós e nossa família permaneçamos nesse barco, mas que todas as famílias da terra sejam alcançadas pela mesma graça.
Fortalecidos pelo dom que o Senhor derramou sobre nós, somos enviados em missão ao mundo. Atravessamos desertos áridos, mas experimentamos também os oásis que Ele nos concede. E temos a certeza: Aquele que prometeu é fiel. Um dia estaremos com Ele, para sempre!
O salmo e a segunda leitura reforçam o sentido profundo da primeira leitura e do evangelho: Paulo mostra a grandeza do amor de Deus revelado em Cristo. Ele explica que Jesus morreu por nós quando ainda éramos fracos e pecadores — algo extraordinário, pois dificilmente alguém morreria até mesmo por um justo. Assim, Deus prova o seu amor porque Cristo se entregou por nós sem que o merecêssemos. Paulo continua dizendo que, se já fomos justificados pelo sangue de Cristo, muito mais seremos salvos da ira futura. E se, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, agora, estando reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Por fim, ele conclui que não apenas recebemos a reconciliação, mas também podemos nos gloriar em Deus por meio de Jesus Cristo.
No evangelho, Jesus contempla a multidão cansada e abatida, “como ovelhas sem pastor”. Diante disso, convida os discípulos a rezar ao Senhor da messe para que envie trabalhadores. Em seguida, chama os Doze, em referência às doze tribos de Israel, e os envia às ovelhas perdidas, dando-lhes autoridade para curar, libertar e anunciar que o Reino dos Céus está próximo. Importa destacar que a missão dos Doze não se restringe a eles: o número doze representa as tribos do novo Israel, que é a Igreja, corpo místico de Cristo. Assim, todos nós somos chamados a ser testemunhas e colaboradores de Cristo, formando um povo consagrado e santo.
Nos tempos atuais, grande parte do nosso povo se encontra abatida e oprimida. Assistimos à decadência social e até física das populações, à desorientação dos jovens, à violência que se espalha por todos os cantos, à inversão de valores, à perda da moral, à corrupção e às famílias desestruturadas. Parece que, a cada dia, acumulamos mais problemas e encontramos menos soluções. Surge então a pergunta: o que devemos fazer? Em que devemos crer? Em quem podemos confiar?
Antes, tudo parecia mais simples, mais claro e definido. As verdades da fé e da religião eram vistas como imutáveis. Hoje, porém, tudo se questiona, tudo se coloca em dúvida. São tantas influências e opiniões contraditórias que inevitavelmente nascem incertezas e angústias.
Mas há luzes no fundo do túnel. Três caminhos se destacam como resposta: A fé nos dá verdadeira segurança em Deus e nos ajuda a superar desorientações, dúvidas e incertezas. Quando todas as verdades parecem questionáveis, quando não encontramos direção, quando a vida se converte em problemas, Jesus nos recorda: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Na missão, padres, bispos, catequistas e leigos, somos chamados a servirmos com amor e gratuidade: “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10,8). O verdadeiro seguidor de Cristo não busca vantagens pessoais, fama ou riqueza. O trabalho missionário deve ser marcado por fé, amor, insistência, compromisso e gratuidade. A recompensa não será terrena, mas eterna. Na oração pedimos ao Senhor que nos envie mais pastores, pois “a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37). Rezar pelas vocações é essencial para que a Igreja continue viva e atuante.
Fortalecidos pela fé, enviados em missão e sustentados pela oração, somos chamados a ser luz no mundo e testemunhas da esperança que não decepciona.
Pe. Afonso Gomes de Melo.
Quase-Paróquia Nossa Senhora de Fátima,
Distrito de Contrato – Itamarandiba/MG