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“Deixem-se amar pelo amor que ama”: Em homilia, Dom Darci convoca fiéis à paz e à caridade operosa

Arcebispo Metropolitano destaca a inspiradora biografia de Santo Antônio — de jovem agostiniano a “Doutor do Evangelho” — e apresenta os pilares essenciais para uma existência com sentido.

DIAMANTINA — O mês de junho é sinônimo de profunda devoção para a Igreja, especialmente marcado pela memória de Santo Antônio, o venerado padroeiro da Arquidiocese de Diamantina. Em meio a esse clima de forte identidade espiritual, o Arcebispo Metropolitano, Dom Darci José Nicioli, proferiu, no dia 1º de junho, uma homilia pastoral que resgatou o legado do santo para convocar os fiéis à reconciliação e à caridade operosa.

O Itinerário: De Fernando a Antônio

Para compreender a profundidade das palavras do Arcebispo, é preciso voltar os olhos à história do padroeiro. Nascido em Lisboa em 15 de agosto de 1195, filho de Martim de Bulhões e Maria Teresa, ele foi batizado como Fernando. Fez seus primeiros estudos na atual Sé de Lisboa e ingressou na Ordem de Santo Agostinho, aprofundando-se na área bíblica e nos textos dos Padres da Igreja no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

Sua vida tomou um rumo decisivo ao conhecer os primeiros missionários franciscanos rumo ao Marrocos. O retorno desses frades, mortos e honrados como mártires, acendeu em Fernando o desejo pelo martírio. Ele recebeu autorização para juntar-se aos franciscanos, mudou seu nome para Antônio e partiu para o Marrocos. Acometido por grave doença, precisou regressar, mas uma forte tempestade desviou seu barco para a Itália. Esse “acidente” providencial o levou a conhecer São Francisco de Assis no capítulo da Ordem em 1221.

O Doutor do Evangelho

Foi na cidade italiana de Forlì que seu dom extraordinário veio à luz. Faltando o pregador designado, Antônio foi convencido a falar o que o Espírito Santo inspirasse. A admiração foi unânime diante de seu imenso conhecimento teológico e místico. Antônio fundou uma escola de teologia em Bolonha, ensinou na França combatendo heresias, fundou o convento de Pádua e tornou-se conhecido como “Pai da Ciência” e defensor ativo dos pobres e encarcerados.

Faleceu prematuramente, em 13 de junho de 1231. Apenas 11 meses depois, devido à sua inquestionável fama de santidade, foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Em 1263, São Boaventura atestou um milagre ao encontrar sua língua incorrupta, prova viva de que sua pregação era inspirada por Deus. Séculos depois, em 16 de janeiro de 1946, o Papa Pio XII outorgou-lhe oficialmente o título de Doctor Evangelicus.

A Mensagem de Dom Darci

Ancorado nessa figura monumental do “Doutor do Evangelho”, Dom Darci exortou os fiéis em Diamantina. O arcebispo lembrou que Antônio soube conformar sua pregação aos corações humanos, evocando uma célebre máxima do santo:

“Se pregas Jesus, ele comove os corações endurecidos. Se o invocas, alivia as tentações. Se o pensas, ilumina as trevas do coração. Se acolhes a sua palavra, sacia-te a mente dos pensamentos vãos.”

“Aprendamos com Santo Antônio a sermos íntimos da palavra para que nós tenhamos a sabedoria de Deus. Aprendamos dele para não termos corações petrificados e para iluminar a nossa vida”, complementou o prelado.

Os Três Pilares da Paz e o Apelo contra o Egoísmo

O ponto alto da mensagem concentrou-se na busca humana pela paz. Segundo Dom Darci, o homem contemporâneo é incapaz de alcançar a verdadeira pacificação sem se abrir a Cristo, apresentando três pilares fundamentais: a paz com Deus, a paz consigo mesmo e a paz com o próximo.

A paz com Deus, definiu o pastor, é “aquela presença acolhida de Deus em nossa vida que anula toda inquietação e todo desassossego”. Com veemência, Dom Darci pediu à assembleia: “Deixem-se amar pelo amor que ama. O amor divino cura, o amor divino planifica a nossa vida”. Ele fez também um alerta contra as expectativas frustradas geradas pelo egoísmo, lembrando que a paz se perde quando nos apegamos excessivamente “àquilo que a traça corrói ou a ferrugem destrói”.

Encerrando a homilia, o líder religioso exortou os devotos a traduzirem a admiração histórica ao padroeiro em gestos concretos de transformação: “Construamos a paz praticando o perdão e a caridade operosa na família, nas nossas relações, no trabalho e na comunidade”. O desafio lançado é o de todos se tornarem, à semelhança de Santo Antônio, autênticos instrumentos de pacificação onde houver desunião e conflito.

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