Artigos Públicados

Modificar o tamanho de letra:

 

O Presépio e o Natal: Um Menino e dois corações.


“O Natal é um pouse firma na fé, no meio das turbulências da vida”

(C. Manuel)

 

Fico pensando o que São Francisco de Assis sentiu no coração ao querer mostrar para nós o mistério da Encarnação do Senhor (Jo 1,14). O Santo desejou viver tão intensamente a pobreza de Jesus Cristo que, em 1223 em uma gruta em Greccio (Itália), pela primeira vez na história, celebrou e representou o nascimento de Jesus na pobreza e na simplicidade. Jesus é o centro do presépio e ao se redor está: JOSÉ, o esposo, companheiro, homem trabalhador responsável, fiel e que confia em Deus; MARIA, a mãe, a mulher forte, companheira pura e fiel; Os PASTORES E SÁBIOS, os simples e os cultos; A NATUREZA representada pelas ovelhas e animais, pelo feno e pela gruta. O UNIVERSO, o cosmos representado pelas estrelas; A ESTRELA GUIA; OS ANJOS, os mensageiros da boa Nova, Jesus. O Presépio, é a mensagem visível da harmonia total e plena do universo, da terra, da humanidade com Deus. A carta encíclica Laudato Si, do Papa Francisco trás uma visão mais larga. Em Deus há unidade na diversidade, assim se expressa José Duarte em uma pesquisa na internet. Por isso, nestes dias, em nossas igrejas ouviu-se muitas vezes o termo “Encarnação” de Deus, para exprimir a realidade que celebramos no Santo Natal: o Filho de Deus se fez homem. É o prólogo do Evangelho de João (Jo 1, 14). Desde o primeiro século Santo Inácio de Antioquia e, sobretudo, Santo Irineu, muito falaram da “INCARNATIO”, palavra que segundo o uso hebraico, indica o homem na sua integralidade, todo o homem, mais propriamente, sobre o aspecto da sua transitoriedade e temporalidade, da sua pobreza e contingência, nos atesta o Papa emérito Bento XVI.

 

Nesta fé, que sinceramente professamos, com o ultimato de mais um ano que termina nos ornamentamos de símbolos e sentimentos. Nas solenes liturgias erguem-se as mais vivas atenções para dar brilho ao que queremos alumiar. Luzes multicolores oferecem um sinal de que não queremos escuridão. Os enfeites nos presenteiam com uma mensagem de alegria. Nossas celebrações querem vislumbrar um ar de festa, pois o que dá sentido a tudo, Jesus Menino, é celebrado com mais afeto e gratidão. O Papa Emérito Bento XVI nos diz: “O Advento é, por excelência, o tempo da esperança”. A cada ano se renova o convite. O coração dos cristãos vibra de alegria enquanto se preparam para celebrar o grande acontecimento da humanidade, o nascimento de Jesus. Com esta expectativa, a alegria cristã, clama: “Vem Senhor Jesus” (Ap. 22, 20). O Papa Francisco nos diz: “O povo simples tem sempre espaço para albergar o mistério. Na casa dos pobres Deus encontra sempre lugar”. Só o coração simples entende o presépio, a começar pela manjedoura. O Natal que estamos vivendo, nos convida a acender uma lâmpada (Mt 5, 15) no coração das pessoas e dizer-lhes que tudo é possível para aquele que crê (Mc 9, 23). Que nossas palavras tenham a metodologia do Menino Deus que é “Caminho a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6) dizendo a todos que na vida os obstáculos não são o impossível ou o irrealizável, mas diferentes desafios nos convidando a novas passagens. O Natal me convida a dizer todos os dias: “eu sei em quem pus minha fé” (2 Tm 1, 12).

 

Anselm Grün no seu livro fontes de força interior nos diz: “A fé consiste na habilidade de visualizarmos um pouse firme no meio das turbulências da vida”. Isso demonstra que cada um tem dentro de si a habilidade de lidar com as dificuldades. Mais ainda, o vencedor dos obstáculos, certamente, tem na lembrança várias experiências da vida. O mesmo aconteceu com José, Maria e Jesus. São José assustado intentou deixar secretamente Maria. Contudo, o anjo do Senhor lhe deu todas as orientações (Mt 1, 18, 25). Maria questionou: “Como se fará isso se não conheço homem algum”. Depois disse: “Faça em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 34ss). E o Mistério da Encarnação aconteceu. Jesus nasceu. Você já imaginou o coração de José e Maria olhando Aquele Menino. Posso imaginar um olhar orante e um espanto adorante. Dois corações vendo o Coração do Deus Menino. Tudo foi necessário para recordarmos as palavras de Jesus, mais tarde: “Desejei ardentemente celebrar....convosco” (Lc 22, 15). “Vinde a mim vós todos que estais cansados, abatidos, oprimidos ...” (Mt 11, 28). “Se ninguém te condenou eu também não te condeno” (Jo 8, 1-11). E ainda as mais solenes palavras: “Os pecados a quem perdoares ficaram perdoados” (Jo 20, 23ss). “Ide pelo mundo anunciai o Evangelho a toda a criatura... e fazei discípulos meus” (Mc 16, 15-18; Mt 28, 19ss). Por tudo isso vale a pena ser e viver o Natal. “Deus assumiu a condição humana para curá-la de tudo aquilo que a separa Dele”, nos orienta o Papa emérito Bento XVI. Santo Irineu afirma: “Este é o motivo pelo qual o Verbo se fez homem, para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo receba a filiação divina”. Viva o Natal intensamente. Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de letras e Artes de Diamantina – MG- (ALAD)

Membro da Academia Marial de Aparecida - SP