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Como entender os tempos de sofrimento e de dor. Uma reflexão

 

 

“A dor e o sofrimento, à luz da fé, ensinam a gente a ser mais gente”

(Côn. Manuel)

 

 

Tenho pensado nas palavras de Jesus quando disse: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mateus 11, 28). O que está no interior das palavras do mestre. É bom lembrar que este sentimento está dentro do contesto do capítulo onze de Mateus quando Jesus após ter dado instruções aos seus doze discípulos, partiu para ensinar e pregar nas cidades daquela região (Mateus 11, 1). Jesus sabia que sempre ía encontrar alguém necessitando de uma palavra amiga. Do consolo de uma orientação. De ouvir, “os teus pecados estão perdoados” ou então a grande autoestima do “levanta-te e anda” (Mateus 9, 5). Assim, na vida existem palavras que produzam uma maturidade que só de lê-las já temos o sentido metodológico a nos orientar. O sofrimento e a dor são algumas. A aerodinâmica da existência humana, sempre nos pede um equilíbrio após sofrer uma provação e perturbação. Ninguém gosta deste desagravo. Contudo, “cada adversidade, fracasso, dor de cabeça, carrega consigo a semente de um benefício igual ou maior”, assim nos assevera Napoleon Hill. Se nós queremos ser mais gente a dor e o sofrimento podem dar uma contribuição ou até mesmo ser um ensinamento. William Shakespeare nos orienta: “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Mário Quintana é mais absoluto: “Se eu pudesse eu pegava a dor, colocava dentro de um envelope e devolvia ao remetente!”. Jesus insiste: “Confia em mim; sem mim nada podeis fazer” (João 15, 5).

 

Com o pensamento de Augusto Cury, podemos aprender nosso jeito de ver a dor e o sofrimento. Diz o autor: “Não é a dor que nos muda [...],mas sim a utilização inteligente dessa dor”. Diante desta sentença, cito cinco passagens bíblicas que nos confortam em tempos difíceis. Uma está no livro de Jó 42, 5: “O sofrimento produz intimidade com Deus”. Na verdade o sofrimento anuncia que sou limitado. Tenho altos e baixos e que a única certeza que tenho é que estou sempre em construção. O positivo desta máxima é de bloquear nosso orgulho e sempre nos sentirmos necessitados de Deus e de alguém que nos possa estender a mão. Hoje sou eu, amanhã pode ser qualquer um ser humano. A segunda passagem está em Coríntios 1, 3-5: “O sofrimento nos permite consolar os que sofrem”. A dor tem sempre mão dupla. Hoje ela pode estar na residência do meu eu. Amanhã pode estar na sua. A dor nunca fica quieta e não tem endereço fixo. A terceira referência está em Isaías 48, 10: “O sofrimento nos refina”. Querendo quer não a dor e o sofrimento nos alinha e calibra. Torna-nos mais maduros para com a consciência, sentimentos e coração. Nosso chão é como um volante de um carro. Só quem dirige sente mais de perto as curva e contracurvas as subidas e descidas da vida. A dor pode ser a prudência. Precisamos saber usá-la. “Não há nada que se possa fazer com pressa e prudência ao mesmo tempo”, já nos diz Públio Siro.

 

A quarta reflexão bíblica está em Tiago 1, 2-4: “O sofrimento produz crescimento e maturidade”. O sofrimento e a dor são como o adubo. Este engrandece a semente e a torna capaz de produzir o sustento de quem um dia a vai colher. O sofrimento não quer inferiorizar você. Ele te amadurece mais. Quer te presentear com as condições de você olhar para frente de “agarrar a mão ao arado e não olhar para trás” (Lucas 9, 62). Você vale muito mais que a história do teu sofrimento e dor. Santa Tereza D’ Ávila nos assegura: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus basta”. Por fim temos a passagem de Romanos 8, 28-29: “Para serem conformes à imagem de seu Filho”. Acredito que o conhecimento é capaz de mudar a humanidade e a leitura é o caminho. Que o seu sofrimento receba um sopro de alívio. Deus não quer o pecado e sim o pecador. Nunca menosprezes qualquer situação que a vida te ofereça. Não engulas o sofrimento e a dor de qualquer jeito. Mastiga bem. Quem sabe lá na frente, ambos, sofrimento e dor, vão te dar a força necessária para seres o homem e a mulher que tanto sonhas. Tudo nos quer ensinar e, quem sabe, o sofrimento e a dor, quando bem usados contribuem para grandes ensinamentos. Sofrimento e dor, à luz da fé, ensinam a gente ser mais gente. Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida - SP