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O Papa Francisco publicou no último 19 de março, dia de São José, as conclusões do Sínodo da Família com a Exortação Apostólica AMORIS LÆTITIA (Alegria do Amor), onde trata os temas atuais e pertinentes concernentes a Família, fundamento e futuro da sociedade.

 

(ver texto)

 

“A Alegria do Amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja” (1). Com essas palavras o Santo Padre abre sua longa reflexão que se desenvolverá por 264 páginas distribuídas em IX capítulos.

 

A análise do Santo Padre segue um esquema dedutivo. Partindo das dificuldades gerais, inerentes à própria vida, e, por consequência, também o matrimônio, O Papa desce aos aspectos particulares e pastorais das questões matrimoniais, onde a regra geral é auxiliada pelas necessidades específicas.

 

Para as questões gerais a Igreja oferece a sua doutrina, “Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimonio, para não contradizer a sensibilidade atual” (35). Na Igreja as dificuldades não desaparecem, mas são solucionadas com sustentação na fé e no ensinamento do Evangelho.

 

A Exortação Apostólica é consciente de que o cristão de hoje vive numa realidade bastante singular em relação a qualquer outra que já experimentou, com mudanças que vão desde a prática até as novas compreensões de conceitos. Assim, a própria palavra -família-, parece passar por um processo de múltiplas compreensões.

Ante as dificuldades que assolam a família, o Amor, aquele Amor que produz alegria e coloca todos a serviço de todos, é a única saída possível.

 

Passando do geral ao particular o Santo Padre reconhece as dificuldades pastorais de afrontar tantas possibilidades com normas gerais.  “Se se tiver em conta a variedade inumerável de situações concretas, como as que mencionamos antes, é compreensível que se não devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que ‘o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos’” (300).

 

A partir daqui, o Santo Padre indica que os problemas pastorais referentes as dificuldades sacramentais do matrimônio só encontrarão um tratamento adequado se analisados em sua origem particular (cf. nota 336).

Finalmente a Exortação Apostólica atinge o ponto mais sensível no aspecto sacramental do Matrimônio: sua relação com Eucaristia.

 

A esta situação o Santo Padre indica que pode: “uma pessoa, no meio duma situação objetiva de pecado – mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (305).

Essa ajuda é certamente a sacramental (cf. nota 355), entretanto, apenas a Confissão é citada nominalmente como um lugar de reconciliação.

 

A Exortação Apostólica é, antes de tudo, um chamado à tolerância no ceio da sociedade cristã, constituída em sua saudável relação entre o povo de Deus e seus pastores. É uma aposta paciente na compreensão profunda que deve haver entre os padres e os fieis.

 

É um convite para que “não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (325).

 

 

Pe. Lindomar Rocha Mota

Vigário Forâneo da Forania de Curvelo

Diretor da FAC e professor no Seminário e PUC Minas

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