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Servir: O primado da caridade na atualidade. Uma reflexão

 

 

Não é possível pensar na vida cristã sem o amor e o serviço

 

(Côn. Manuel)

 

 

 

 

Tenho pensado nas palavras de Jesus no Evangelho de Mateus. “Não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida como resgate por todos” (Mt 28,20). Diante desta máxima fico pensando nossa atualidade com tanta oferta para as ocupações. Como fica o servir? O serviço na hodiernidade parece estar sendo uma esmola ou algo de particular reservado aos voluntários (as) ou então às pessoas cuja caridade ainda é um primado na vida espiritual. Lembro os vicentinos que são voluntários em Asilos, os que visitam e ajudam hospitais, os grupos de voluntários em Santas Casas e hospitais filantrópicos, os que trabalham na paróquia com tanto amor e tantos outros serviços. Precisamos de corações que entendem que servir aumenta a autoestima de quem faz e engrandece quem o recebe. Quem não conhece o texto bíblico da lâmpada debaixo do alqueire (Mt 5, 15). Tire debaixo do alqueire aquilo que pode servir a tantos. Testemunha para nós Charles de Foucault: “Precisamos ir, não lá onde achamos melhor, mas lá onde os homens mais precisam de nós”. Nos dias atuais podemos ter muita luz externa, mas ainda temos muitos sem luz interna. Nossa luz é um bem precioso quando o servir preside a caridade.


Com o avanço das tecnologias, como Internet, Whatsapp, Instagram e outros, somos visitados por algumas mensagens que depois de lidas nos levam a bonitas reflexões. São pensamentos de autores famosos, provérbios e ditos populares. Num destes serviços fui surpreendido pela frase cujo autor desconheço: “Quem não serve, não serve”. Numa primeira apreciação não enfeita muito a leitura, mas após uma reflexão, mesmo simples, brinda-nos com a contemplação da reflexão. Este pensamento alerta-nos para colocarmos em prática as conjugações do verbo servir. Não podemos fazer desta entonação apenas palavras. Servir é um ato de grande relevância. Diz-nos Décio Valente: “O pessimista considera o sol apenas como um fazedor de sombras”. O sol não é só isso. Ele é muito mais, aquece a humanidade. Quem serve transmitir calor, irradia consolo, conforta o coração. Diz-nos Jesus: “Felizes os que agem em prol da paz e de justiça (Mt 5, 9-10).


Precisamos superar o hedonismo, a corrupção e o vazio dos valores. Alegra-nos, além disso, o profundo sentimento de solidariedade que caracteriza nossos povos e a prática de compartilhar e de ajuda mútua (DA, 99). Quem valoriza a virtude do servir, influência em si mesmo algo de benéfico, alimenta sentimentos nobres, defende a fé e a confiança no que deseja. Quem se habilita a servir, pode estar certo que está ancorado no coração de Deus. Martin Luther King atesta: “Todo mundo pode ser grande... porque todo mundo pode servir. Você não precisa ter diploma universitário para servir. Não precisa saber concordar sujeito com verbo para servir... Só precisa de um coração cheio de graça. De uma alma gerada pelo Amor”. O compromisso em servir chama-nos ao dom maior, ou seja: a predispor alguém a desejar o bem de outrem.


Não é possível pensar em vida cristã sem amor e o serviço. Um não existe sem o outro. Jesus disse que nos tornaríamos conhecidos no mundo através do amor e do serviço aos irmãos (Mt 25, 40). O amor e o serviço são credenciais dos discípulos e missionários de Cristo. A ocasião em que mais nos parecemos com Deus, é quando amamos e servimos (Jo 3,16). Sabemos que, quem serve está mais seguro no “Caminho, verdade e vida” (Jo 14,6), Jesus Cristo. Servir é compreensão, eclesialidade, comunhão que nos conduz ao diálogo até mesmo ecumênico. A relação com os irmãos e irmãs batizados de outras Igrejas e comunidades eclesiais é um caminho irrenunciável para o discípulo e missionário, pois a  falta de unidade representa um escândalo, um pecado e um atraso do cumprimento do desejo de Cristo: “para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti.” (Jo 17,21). Jesus foi o maior exemplo de amor e do serviço sem olhar a quem. Se definitivamente o imitarmos, o curso da história será mudado. Pense nisso.


 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida - SP