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Presidente francês recebeu integrantes do Movimento Católico Global pelo Clima e representantes de outras religiões

Sean Hawkey/CMI

O Movimento Católico Global pelo Clima entregou, nesta quinta-feira, 10, ao presidente da França, François Hollande, 900 mil assinaturas da Petição Católica pelo Clima. Em coalizão com outros grupos religiosos, o número de assinaturas chega a 1.833.973. O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, é o porta-voz do movimento e ressaltou, na ocasião, a preocupação com a crise climática. A cerimônia aconteceu no palácio do Eliseu, em Paris.

"Como pessoas de fé, estamos extremamente satisfeitos em conhecê-lo hoje para entregar essas assinaturas da petição e exigir justiça climática. Estamos extremamente preocupados com a crise climática. Mas sabemos que nem tudo está perdido. Como o papa Francisco disse em sua encíclica, os seres humanos, ao mesmo tempo que são capazes do pior, também são capazes de se elevar acima de si mesmos, a escolher de novo o que é bom e fazer um novo começo", disse o bispo ao presidente francês, lembrando da encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum.

A ação realizada hoje é uma sequência do evento inter-religioso que aconteceu no dia 28 de novembro, quando líderes de diversas confissões entregaram às autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e do governo francês, que presidem a 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), as assinaturas de mais de 1,8 milhão de pessoas de diversas partes do mundo, que clamam por justiça e por uma ação climática a favor da humanidade e de toda a criação.

O presidente da França agradeceu ao grupo que o encontrou às vésperas do fim da reunião da COP 21 e afirmou a necessidade de proteger o planeta. “Por meio das petições, das caminhadas e peregrinações, vocês se comprometeram a defender a vida", disse Hollande, que também ressaltou a importância de reunir líderes religiosos de todas as crenças com o objetivo de proteger o "patrimônio comum" do mundo. "É necessário a todos os cidadãos se engajar e mobilizar, como vocês têm feito. O seu exemplo abriu o caminho, através de todas as caminhadas e peregrinações, juntamente com estas petições. Espero que elas tenham tanta influência quanto possível, enquanto ainda estamos a negociar o acordo. A sua mensagem, as vossas petições, devem ser ouvidas, e essa voz que vocês estão trazendo deve ser ouvida", disse.

O evento contou, ainda, com a participação do ex-negociador do clima, Yeb Sano, das Filipinas, que incentivou a Peregrinação do Povo, do Vaticano a Paris. Yeb levou consigo mais de 30 mil assinaturas do povo filipino exigindo a justiça climática. "Como uma forma de expressar profundo senso de urgência sobre a crise climática, como comunidades de fé, nós embarcamos em romarias de todo o mundo e muitos peregrinos caminhamos para Paris a partir de diferentes países, espalhando a esperança para o futuro da humanidade e esperança para COP21, transportando a mensagem de justiça climática e nossa solidariedade como uma única família humana", explicou.
Atuação

De acordo com o Movimento Católico Global pelo Clima, dom Leonardo “tem sido um promotor chave da campanha no Brasil”. O grupo ressalta o esforço de mobilização que conseguiu mais de 900 mil assinaturas em sete meses. A campanha ainda continuará em 2016 “para os católicos colocarem pressão sobre os governos nacionais e ‘subnacionais’”.

O grupo ainda convida à oração para que os líderes mundiais entreguem “um acordo justo e transformador que faça avançar a justiça climática que exigimos”.
Propostas

Inspirada na encíclica Laudato Si, a petição organizada pelo Movimento Católico Global pelo Clima tem o objetivo de motivar o debate sobre as mudanças climáticas, com três propostas para os líderes mundiais reunidos na COP21. A primeira refere-se à inclusão da dimensão ética e moral no debate sobre o clima. O segundo ponto das sugestões pede a redução drástica das emissões de carbono na natureza. Por fim, o movimento recomenda a ajuda aos países pobres no enfrentamento dos impactos causados pelas mudanças climáticas.
Com informações do Movimento Católico Global pelo Clima
Com fotode Sean Hawkey/CMI

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