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O Ano Santo da Misericórdia: O amor e o juízo de Deus

"Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso"

(Lc 6, 36)

 

 

O Papa Francisco, no seu múnus de Sumo Pontífice da Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica, decidiu proclamar um Ano Santo Jubilar da misericórdia que terá início com a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro a 8 de dezembro de 2015, na Solenidade da Imaculada Conceição e será encerrado no dia 20 de novembro de 2016, na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. A metodologia apresentada pelo Santo Padre segue duas palavras com grande alcance na misericórdia do Senhor, vale dizer: o amor e o juízo. Para nos fazer refletir o Papa apresenta o amor de Jesus perante a mulher pecadora. Ele permite que ela se aproxime e, além disso, demonstra-lhe o amor de Deus num encontro que passa na frente de qualquer justiça humana, transpondo o juízo que se possa fazer perante tal situação (Jo 8, 2-11). Outro acontecimento que motiva o Santo Padre é o Juízo de Simão, o fariseu que convidou Jesus para um jantar e não consegue reconhecer quem é seu ilustre convidado (Lc 7, 36 ss). O Fariseu se apega à justiça desconhecendo o caminho do amor que estava tão perto dele, o próprio Jesus. Ao ver a cena da mulher que chora aos pés de Jesus e enxuga com seus cabelos (Lc 7, 38-39), levou Jesus a mostrar o mais alto nível de sua misericórdia explicando o caso com a parábola dos dois devedores (Lc 7, 41 ss). O resultado levou o fariseu a pensar na pergunta de Jesus. Se um devia quinhentas moedas e o outro cinquenta, qual deles amará mais? Simão respondeu: “Acho que é aquele que ele perdoou mais” (Lc 7, 42). A resposta de Jesus fez com que todos ficassem admirados. “Quem é esse que até perdoa pecados?” (Lc 7, 49). Ninguém pode ser excluído da misericórdia do Senhor.

Para nortear o Ano Santo da Misericórdia, o Santo Padre escreveu uma carta pontifícia de caráter especialmente solene, o que chamamos de Bula Pontifícia: A Misericordiae Vultus (o rosto da misericórdia). Diz o Papa: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré”. (MV, 1). Para nos incentivar o Papa continua: “Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia” (MV, 2). Em toda a Sagrada Escritura encontramos a palavra misericórdia. No Antigo Testamento, por exemplo, aparece muito o binômio de Deus “paciente e misericordioso” (MV, 5). Os Salmos estão cheios da palavra misericórdia. No Novo Testamento Misericórdia representa o desejo da vontade de doar tudo de si mesmo e a generosidade sem preconceitos, a íntima compaixão. As parábolas de Jesus estão cheias de misericórdia. Os Papas, em seus ensinamentos, sempre procuraram anunciar a misericórdia do Senhor, sobretudo, os Papas do século XX e agora no século XXI. São João XXII chamava “a misericórdia de remédio”. O Beato Paulo VI, viu a misericórdia como “a consoladora em todas as circunstâncias nas fraquezas humanas”. São João Paulo II dizia: “é uma urgência anunciar a misericórdia para o mundo comtemporâneo”.

 

 

O Papa Francisco nos exortação a ser: “Misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36), assinalando a virtude da misericórdia como um “critério para individuar quem são os seus verdadeiros filhos”. Somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco”, nos diz o Pontífice. Seguindo a Misericordiae Vultus, numero 15, o Papa, pede aos fieis que redescubram as obras de misericórdia, dizendo: “É meu vivo desejo que o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual”. Comuns na catequese tradicional da Igreja, as obras de misericórdia CORPORAL são: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. As de misericórdia ESPIRITUAL, por sua vez, são: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas e rezar a Deus pelos vivos e defuntos. Tudo nos leva ao Capítulo 25 do Evangelho de Mateus. A vontade do Papa quer que nosso pensamento viva intensamente a misericórdia de Deus e, quanto mais soubermos de misericórdia, mais misericordiosos seremos. Seja um evangelizador da misericórdia de Deus na sua casa, comunidade, grupo de oração, trabalho e onde quer que estejas como um bom cristão. Não esqueçamos as palavras de São João da Cruz: “Ao entardecer desta vida, examinar-nos-ão no amor”. Pensa nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial de Aparecida - SP