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SILÊNCIO: CAMINHO PARA A PRUDÊNCIA

“O silêncio é um amigo que nunca trai”.

(Confúcio)

 

Nosso mundo está entulhado de sons. A comunicação nos chama, ou nos provoca, a ter resposta para tudo. Hoje, mais do que ser uma pessoa com coerência, ética e prudência, somos eletroímã, magnetizados num material ferromagnético, onde somos mais importantes no facebook, whatSapp, MSN entre outros meios. Parece que nossa identidade, dentro de uma considerada modernidade, nos maquinizou. A hodiernidade nos fez mais digitais do que comunicadores. O medo está dominando. Por um lado está determinando que o digital chega mais rápido e que as distâncias estão sendo vencidas, por outro, tudo o que se joga no digital todo mundo pode ver, além do erro de enviar para a pessoa errada, ou ser descoberto, numa palavra, mensagem ou comunicado, e daí aumentar as dores de cabeça. Perante todo este aparato, mundialmente organizado e bem planejado, o silêncio nos convida a uma tríade de atitudes, vale dizer: a cautela, precaução e sensatez.  Já nos alerta o provérbio chinês: “A palavra é prata, o silêncio é ouro”.


Sempre me chamou a atenção o pensamento de Thiago de Mello: “O silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras”. Nas grandes porções de desabafos, nos amontoados de ressentimentos, nos aclives e declives de interrogações, nos porquês disso ou daquilo, só o silêncio tem a maior resposta. O silêncio é um grande terapeuta. Sua linha mestra nos dirige na mais persuasiva e convincente sinfonia, de dizeres tão acertados, que nem Beethoven, com seu grande dom para com a pauta musical, conseguiu ultrapassá-lo. Por isso, “o silêncio é um dos argumentos mais difíceis de rebater”, nos alerta Josh Billings. Esse grande amigo nas viagens da vida nos avisa: Nunca uses da brutalidade, da grosseria, ou de qualquer outro artefato para te defenderes. Oferece sempre como prêmio e grande maestria o silêncio de tua resposta. O santuário da consciência agradece. Quantas vezes já fomos provocados por situações que nos queriam experimentar.


No agitado da modernidade pelos ventos da correria, defrontando-se com a velocidade da eletrônica, nosso mundo tornou-se uma pequena aldeia ajustando-se à conformidade dos rumores, ao bulício da vida. Com esta dádiva, o silêncio, provavelmente, não combina com a realidade tão badalada embutida no mais eloqüente barulho e pressa que nos é acedido. Contudo, esta interrupção de correspondência, para quem vivencia a verdade de seu valor, nos leva aos mais altos índices dos melhores diálogos que o ser humano possa ter. Já nos alenta Confúcio: “O silêncio é um amigo que nunca trai”. Quando tudo parece refutação, a angustia chega ao auge; quando as palavras se esgotam, o que se busca não se encontra, o silêncio se torna a melhor réplica. José Rodrigues Miguéis assevera: “Já tenho escrito que o meu silêncio é feito de gritos abafados. Mas a vida é apenas um arrendamento provisório, um parênteses entre dois insondáveis infinitos”. Neste conhecimento está um sistema computacional que é muito mais minucioso, preciso, poderoso do que qualquer coisa que esteja contida nas fronteiras do pensamento racional. Faça do silêncio seu melhor amigo, sua melhor resposta e sua grande presença. Não é à toa que Machado de Assis nos diz: “Há coisas que melhor se dizem calando”. Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo
Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG
Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG
Membro da Academia Marial de Aparecida - SP