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A Metodologia do você e do eu no ambiente que vivemos? Uma reflexão

 

“Escutar as pessoas é preciso, mas melhor é compreendê-las”

(Côn. Manuel)

 

Para entender o que se pretende dizer com o título deste artigo é bom saber o conteúdo de cada palavra que o compõe. Se o grau de nosso valor se mede pela intensidade do nosso amor, logo os verdadeiros protagonistas do você e do eu é a pessoa. Podemos estar convictos que é na soma das atitudes do você e do eu que o difícil pode ser superado o esforço pode ser embalado e a esperança chegar com tranqüilidade. Jesus se esforçou por este eu e se preocupou com você. Disse Ele: "Eu estarei convosco todos os dias" (Mt 28, 20) A palavra você significa um tratamento comum entre iguais. Por sua vez o eu significa a personalidade de quem fala, ou a individualidade metafísica da pessoa. Ambiente se entende o conjunto de condições materiais e morais que envolvem alguém. Sendo assim, todos nós fazemos o ambiente em que vivemos. É no encontro das pessoas que se criam os ambientes. Cada um de nós é chamado a fazer o seu meio e o ambiente de todos. Se for verdade que tudo passa e se modifica, é bom que fique registrado algo de nós aprovado pelo eu e, consequentemente, aprazível no você. Somando você e o eu temos o ambiente. Jesus assegurou: "É pelo fruto que se reconhece a árvore" (Mt 12,33). É pelo ambiente que se conhece as pessoas.

 

Para que haja um bom ambiente, não basta apenas ver as pessoas. É preciso olhá-las, olhos nos olhos, na transparência do que vivemos dentro de nós mesmos. Para exercitar um bom ambiente, não basta escutar as pessoas, é preciso compreendê-las para além do que dizem ou querem dizer. A convivência diária dos que habitam debaixo do mesmo teto, o lugar do trabalho de cada dia, o convívio do café, o encontro das pessoas, em qualquer circunstância, fazem o meu e o teu ambiente. Onde estamos devemos ser fermento a fim de dar força à massa da vida e o pão da convivência alimentar todos (ver Mt 13, 33). Nenhum ambiente é autêntico quando reside na cegueira dos que se prendem às aparências externas das pessoas. Os que trilam estes caminhos acabam embutidos numa aparência que pode desmoronar a qualquer hora. A dimensão afetiva e social das pessoas, ao encontrar umas com as outras, ganha novos horizontes, quando cada um se esforça por conhecer o outro. Quem é o outro? É o diverso do primeiro, o diferente da pessoa ou coisa especificada. Na diferença pode estar a gênesis do milagre do outro existir para nós. Valorizar o outro é valorizar a minha existência, conquistar o meu espaço e o que de mais precioso o ser humano tem, a confiança.

 

Você sabia que o conhecimento do outro passa, necessariamente, pela compreensão do que somos na pequenez das nossas misérias e na grandeza dos nossos ideais. O conhecimento do outro se faz, também, na aceitação de cada um de nós, na humildade das nossas faltas e nos dons com que fomos presenteados. Só a generosidade daquele que fala com personalidade, capacidade de relacionamento poderá dissipar as trincheiras dos que aquartelam no preconceito o que querem assegurar na opinião. Para que haja um bom ambiente precisamos que alguém nos olhe sem olhos de censura... mas de compreensão. Já nos diz frei Anselmo Fracasso, OFM: “O amor encontra razões para agir e servir sempre mais; o egoísmo procura pretextos para cruzar os braços”. O ambiente discretamente partilhado celebra o grande mistério da fé que é o viver bem em sociedade, vale a dizer: o sorriso oferecido, o bom-dia dado, o silêncio guardado em atitude de respeito, o convite ao pão da mesa e da palavra fazem o ambiente. Numa palavra, uma sociedade que honra seu ambiente não pode deixar ninguém marginalizado ao seu convívio. Por acaso você já gritou para dizer que é gente... querendo seu lugar na vida e na sociedade? Acredito, meu irmão e minha irmã, que no fundo de nós mesmos, só queremos que alguém nos trate como pessoa...como gente O que este artigo quer propor é motivar você a uma reflexão. Você e eu, nós fazemos nosso ambiente? Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida - SP