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Quando o agradável é amargo... e faz a diferença: Uma reflexão

“Nunca sabemos a dimensão e a irradiação dos ouvidos que nos ouvem”

(Côn. Manuel)

 

 

A vida é um conjunto de propriedades e qualidades graças às quais podemos determinar o que temos e somos tanto no individual como no coletivo. Dalai Lama em um dos seus eloqüentes pensamentos nos alerta: “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”. Temos que distinguir o que é viver e existir. Nosso viver trás luminosidade e, a cada dia que vivemos, bordamos a colcha que queremos nos cobrir. Existir é apenas uma maneira de dizer que estamos vivos. Millôr Fernandes nos dá um caminho: “Viver é desenhar sem borracha”. Fico pensando na grande oportunidade de Madalena (Lc 7, 36-50), Zaqueu (Lc 19, 9ss), Tomé (Jo 20, 26-27) que a Bíblia nos apresenta como grande referencial de viver no existir, com um novo sentido, pela oportunidade que lhe foi oferecida.

 

Ao nos posicionar diante do tempo e das transformações que estamos vivendo, cuja velocidade é tão rápida, que se desviarmos nossa atenção por um momento, perdermos o foco e ficarmos para trás, ou “chegarmos atrasados”, corremos o risco de ficarmos privados de oportunidades, que jamais voltam ao chão da nossa existência. Na vida, isso pode acontecer, para não falar nos momentos mal pensados e vividos. Sem grandes pretensões de doutrinar neste nosso tema, queremos dar rosto e magnificência a todos os que se acham num bem estar sem medir as conseqüências que podem advir de um gesto, palavra, atitude, mensagem, telefonema, carta, encontro, “ficar”... e tantas coisas mais, preterindo uma liberdade sem compromisso e responsabilidade cujas as frustrações elevam o erro, recebendo como prêmio milhares de lágrimas e sentimentos feridos.

 

Na matemática da vida, até os mais experientes falham. Assim sendo, também nossos cálculos podem errar e nos comprometer com surpresas, provindas de momentos mal pensados, impregnados de um excesso de liberdade, equivocadamente, revestidos de uma felicidade que no início, como nos diz Pe. Zezinho: “...é doce, mas depois amarga demais”. Tal como a chuva silenciosa que, caindo fielmente, faz transformar os riachos, o excessivo de nossas faculdades em decidirmos e agirmos, acreditando no ímpeto das nossas determinações, podem almejar grandes avalanches cujos danos, materiais ou morais, edificam prejuízos e haveres que jamais sairão de nossa vida. No dizer de Hernando Duque Yepes, precisamos: “gerenciar e administrar de forma ágil, adequada, técnica e criativa os recursos humanos, a fim de termos uma produtividade excelente”. Só a capacidade de levar a vida a sério pode determinar nossos atos de fazer valer nossos pressupostos edificando nossos relacionamentos para usufruirmos dias melhores sem peso na consciência.

 

É bom sentirmo-nos energizados pelas belezas que nos rodeiam, vale dizer: as pessoas com que comumente convivemos, saímos e conversamos. Contudo, é bom orçar o que se faz, isto é, a submeter à apreciação, sublimando e engrandecendo sua prudência, controle e limites. Nunca sabemos a dimensão e a irradiação dos ouvidos que nos ouvem. Como sempre digo: “o que a boca nunca falou o ouvido nunca ouviu”. Por muito que você viva e conviva com alguém, nunca se arrisque sem antes pensar, pois um minuto mal pensado pode estragar horas da beleza da vida que Deus lhe dá todos os dias. Santa Catarina de Sena nos diz: “Se o afeto conduz a alma, os pés conduzem o nosso corpo”. Fruindo deste pensamento, faça de sua vida um “oásis”, evitando os dissabores de momentos mal constituídos sem base sólida. Conduza sua vida. Só você sabe a que velocidade pode ir. Engrandeça sua vida e faça dela a referência onde você seja o (a) “empresário” que atinja seus objetivos, lucrando com o aprazível do êxito, decretando condições de auto-estima e de verdade, onde o balancete final seja sua alegria de viver acessando sempre a esperança de um novo amanhã, e, sobretudo, que você seja semente para novas pessoas lhe seguirem. Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida - SP