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Páscoa: Aleluia vivo na Igreja do Senhor

“Que a alegria do Senhor seja nossa força”

(Ne 8, 10)

 

O Cardeal Walter Kasper, no livro, Servidores da Alegria, expressa: “A Igreja tem uma busca de Deus numa base de orientação confiável”. O Papa Francisco, profetiza: “Precisamos dissipar em nós aquelas parcelas de deserto que ainda existem em nosso coração”. A Páscoa do Senhor é um desses momentos confiáveis, onde podemos acreditar. Por isso, estamos vivendo mais uma Semana Santa com a finalidade de vivenciarmos a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo nesta semana é cristocêntrico. Quem a vivencia com todo o ardor de discípulo e missionário, adentrando no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, com mais intensidade vai compreender o que é ressuscitar. Chiara Lubich nos ajuda: “O carro anda na medida da gasolina que consome. A obra de Deus vai para frente na medida da dor transformada em amor”. Páscoa é isso.

 

Jürgem Moltmann um dia se questionou dizendo: “O que amo quando amo Deus?”. Ajudado por Santo Agostinho ele se ajusta dizendo: “Deus é a luz, a voz, o perfume, o alimento, o amplexo do homem interior que está em mim, onde minha alma é inundada pela luz que o espaço não contém, onde há uma música que o tempo não segura, onde há um perfume que o vento não dispersa, onde há um sabor que a voracidade não extingue, onde há uma união que a saciedade não alenta. É isto que eu amo quando amo a Deus”. Nas orantes palavras de São João Paulo II chegamos ao coração dessas palavras: “Embora possa parecer escuro o horizonte da humanidade, celebramos o triunfo esplendoroso da alegria pascal. Se um vento contrário dificulta o caminho dos povos, se o mar da história se torna borrascoso, ninguém deve ceder ao pavor nem ao desânimo. Que vençam os pensamentos de paz!”

 

O Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium diz: “A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é MISSIONÁRIA (n.º 21). Por isso, nessa Páscoa, o grande Aleluia, que vamos viver, precisa ser alimentado na fé e atuar no amor (Gl 5, 6). A palavra Aleluia na magnificência de sua etimologia quer nos anunciar o grande cântico de alegria e louvor, freqüente nos salmos, adotado pela Igreja na liturgia, no tempo da Páscoa. É a grande expressão do sentimento de felicidade, culminando com a vitória de Jesus, sua Ressurreição (Lc 24, 1ss; Jo 20 1ss). Assim, caminhamos para o grande dia, o primeiro da semana, onde vemos o alvorecer deste cântico de louvor (Jo 20, 1). Como Batizados remamos com nosso “barco” lançando as redes mar adentro, desejando comunicar o amor do Pai que está no céu e a alegria de sermos cristãos, para que proclamemos com audácia Jesus Cristo a serviço de uma vida em plenitude para nossos povos, mormente, os que nos foram confiados. Com as palavras dos discípulos de Emaús e com a oração do Papa Emérito Bento XVI em seu discurso inaugural do Documento de Aparecida concluímos com uma prece dirigida a Jesus Cristo: “Fica conosco porque é tarde e o dia declina” (Lc 24,29).

 

Viktor Frankl, um belo dia, se autodefiniu como aquele que encontrou o sentido da vida ajudando os outros a descobri-la. Se nós, na caridade pastoral, ajudar o outro a descobrir a profundidade da Semana Santa e a Páscoa do Senhor, com certeza, Jesus Cristo vai ressuscitar com mais vigor no coração dos irmãos. A Páscoa nos faz lembrar a frase de Santa Tereza que com firmeza diz: “A cruz é dura para quem a arrasta, não, porém, para aquele que a abraça”. O Papa emérito Bento XVI assegura: “Somos fracos para elevar nosso coração à altura de Deus”. A Páscoa nos ajuda a compreender o grande Mistério Cristão onde “toda a graça nos é dada na Trindade pelo Pai, através do Filho, no Espírito Santo” (Santo Atanásio de Alexandria). Vivamos nossa Páscoa de 2015 preparando-nos para o extraordinário Ano Santo da Misericórdia que o Papa Francisco anunciou no dia 13 de Março cujo tema é: “Deus rico em misericórdia” (Ef 2, 4). Com estas palavras desejo ao senhor (a) e sua família Boa e Santa Páscoa. “Que a alegria do Senhor seja nossa força” (Ne 8, 10). Sejamos Aleluia vivo.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida - SP