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(Côn. Manuel)

 

Com o fim de mais um ano, somos presenteados e chamados para as tradicionais festas de Natal e ano novo. Como cristãos eis o grande momento de alegrarmos. A palavra de Deus nos diz: “Alegre-se cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). Isso pode ser visto e celebrado nas solenes liturgias onde se erguem as mais vivas atenções para dar brilho ao que queremos celebrar. É Natal. Queremos vislumbrar um ar de festa, pois o que dá sentido a todo o nosso entusiasmo e fé, é Jesus Menino. Diante de tamanha alegria, de um jeito ou de outro, todos procuramos ser um pouco Natal. Contudo, a melhor maneira de festejarmos, além do enfeite e do presente seja um sorriso a quem amamos de verdade, vale dizer: Família, amigos, grupo de trabalho, comunidade, somando os que fazem parte dos sentimentos mais vivos, neste momento da vida. Gosto muito do pensamente de Madre Tereza de Calcutá que diz: “Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”. É por isso, que o  Natal e passagem de ano nos confortam com o eco de suas festividades. Neste maravilhoso tempo podemos encontrar uma infindável grandeza de amor, perdão, compreensão e, sobretudo, acolher os que precisam de nossa presença num Natal mais vivo, humano e social. Já nos diz um autor desconhecido: “Há mais, muito mais, para o Natal do que a luz de vela. Precisamos de um espírito doce de amizade que brilhe o ano todo. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para o entendimento e a benevolência dos homens”.

 

Depois de passarmos onze meses do ano, entramos num caminho de reflexão, que nos leva a prepararmos os caminhos o Senhor (Is 40, 1-3). Assim toda uma metodologia se ergue em todo do nosso ser para celebrar o nascimento de Jesus (Lc 2, 10-11). O Natal enobrece a pessoa, a torna mais sensível, vislumbra a verdadeira realidade do ser humano. Diante de tamanha responsabilidade uma pergunta nos inquieta. Como devo ser Natal? Jesus é bem preciso em sua metodologia de ser Natal. Ele assevera: “Todas as vezes que fizestes isso a um desses meus irmãos,... foi a MIM que o fizestes” (Mt 25, 40). Pois é. Cada vez que acolhemos uma pessoa, visitamos um doente, um preso, quando damos atenção a alguém que necessita de uma palavra amiga ou de auto-estima, até mesmo uma correção, estamos sendo Natal. Quantos episódios as Sagradas Escrituras nos apresentam e que são verdadeiras realidades de Natal. Lembremos de Madalena (Lc 7, 36 - 50). Na vida dela o que existia de Natal? Contudo, Jesus a fez sentir nascer de novo. Natal é isso, é fazer alguém nascer de novo. O que Zaqueu tinha para ser Natal de Jesus (Lc 19, 1-10). Nada. Todavia, para surpresa de todos, Jesus quis ficar em sua casa. Quantas pessoas ajudamos na vida, no nosso ambiente de trabalho, em casa, na comunidade, nesta sociedade do maquinário, competitiva e demos testemunho de ser natal? Essa pergunta não pode ficar imune diante de nossa consciência.

 

Quando eu celebro verdadeiramente o Natal me sinto mais forte. Não basta apenas dar alimentos, uma cesta básica, como um desencargo de consciência, ou dizer, vamos realizar um Natal sem fome. Isso é bom, mas é preciso muito mais. Tem pessoas com mesas cheias, mas com fome de Deus no coração. Pessoas com pouco alimento, mas com um coração cheio de amor querendo ajudar e sem condições. Quantos vêm o Natal nas vitrines, nos presentes, no papai Noel, no carro do ano, na roupa de grife, mas no seu interior sente um vazio. Eis uma boa reflexão para o Natal. Precisamos sair das amarras que ficam nos iludindo num exterior. Não queira ter seu interior desnudado de luz. Façamos neste Natal uma viagem à “Belém” da nossa consciência, coração e sentimentos. Quantas coisas bonitas temos lá e precisam fazer nascer neste Natal. Charlotte Carpenter nos alerta: “Lembre-se, se o Natal não é achado em seu coração, você não o achará debaixo da árvore”. Todos temos uma chance de ser Natal de verdade. Faça sua parte. Veja como está sua vida com Deus. Um bom exame de consciência, quem sabe, seria oportuno. Acenda a luz da esperança em seu coração. Nunca desanimes. Não olhes para trás. Jamais oferece às palavras uma força de que você não tem mais jeito. Nunca abandones a grandeza dos valores que estão dentro de você. Permita-te nascer de novo. Feliz 2015. Seja Natal Vivo. Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – SP