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Quando o amor faz a diferença ... e nos cura. Uma reflexão

 

“Se o amor mostra o que somos, nossos atos e palavras confirmam”

(Côn. Manuel)

 

O amor é como uma maratona de quarenta e dois quilômetros. O vencedor não é aquele que atingiu o almejado, mas aquele que começou o primeiro passo da corrida. A vitória está no que começa com garra, força e fé. Chegar no final e ganhar é conseqüência do esforço merecido. Por isso, tenho pensado muito na densidade das palavras de Jesus quando disse: “Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos amei” (Jo 13, 34). Essa é a grande expressão de fé em Jesus, o amor. Tudo o que Ele fez queria sempre mostrar que o amor cura, devolve a esperança, perdoa, encontra e, sobretudo, oferece a vida. O amor é uma maratona. Em suas parábolas, milagres e fatos, Jesus, sempre deixou bem claro que sua maior alegria era fazer reinar o amor. Ele o diz: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10, 10). É por isso que dizemos: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” (Sl 23, 1). Madre Tereza de Calcutá, que fez de sua vida uma maratona de amor, diz: “A falta de amor é a maior de todas as pobrezas”. Ela ainda acrescenta: “Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las; o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá; se não temos paz, é porque nos esquecemos de que pertencemos uns aos outros”. O amor não é propriedade privada de ninguém e jamais pode ter barreiras. Ele é de toda a humanidade. O amor sabe o que faz, com quem faz e para onde vai. A grande vitalidade da palavra reside no coração de quem a diz.

 

Todavia, num mundo onde a velocidade da desconfiança avança a passos largos; o ficar com um pé atrás se tornou máxima na sociedade atual; falar ao celular, whatSapp, MSN ou outros meios virou prudência total, pois alguém pode ver ou ouvir e outras cautelas que nos amedrontam, nos impedindo de ser mais sociais e próximos, falar de amor talvez seja coisa para poucos. Contudo, esse é nosso desafio. Paulo Coelho em uma de suas frases pensantes refere-se a um dito chinês que assevera: “Se precisar disparar a flecha da verdade, primeiro molhe a sua ponta no mel”. Diante desta máxima atestamos que toda a palavra, na realidade do seu existir e agir, tem um Q.I. (quociente intelectual), que qual termômetro possui todos os ingredientes da temperatura para saber o saudável do seu destino e os cuidados a serem atendidos. O amor nos pede cautela. Já nos diz o velho ditado. Pense duas ou mais vezes antes de dizer algo. A traição não parou na pessoa de Judas Iscariotes (Lc, 6, 16). Sanciona e habilita nossa ousadia, a integridade de cada palavra, quando a pronunciamos, visando sua intenção e seu destino. É o eu que outorga o notável valor, bem como, a vassalagem que registra a pequenez ou a grandiosidade que lubrifica o espírito rejuvenescente da palavra. F. W. Faier afirma: “A oportunidade para os grandes atos pode nunca chegar, mas a oportunidade para as boas ações se renova dia a dia”. Assim acontece com a palavra. Nem sempre podemos ter boas palavras na oportunidade que queremos, mas nas que nos são oferecidas, a prudência precisa reinar. Palavra é maratona, não ganha só no final do almejado, mas no seu inicio quando começa a competir.

 

A palavra associada à mente oferece um conteúdo, instituindo-lhe um cargo, que só a consciência, os sentimentos e o coração podem ter a dimensão do seu valor. Sabemos que só o presente nos proporciona a fonte do sucesso ou do fracasso. Uma frase citada num site bíblico me chamou a atenção. Diz a sentença: “Há momentos na vida em que se deveria calar e deixar que o silêncio falasse ao coração, pois há sentimentos que a linguagem não expressa e há emoções que as palavras não sabem traduzir”. O amor na palavra é sal e luz. Jesus falou tanto da lâmpada (Mt 5, 15; 4,20; Lc 8,16).  Com toda esta claridade, crescem o vigor, as ondulações e, sobretudo “a qualidade de quem age com moderação, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou de dano”. Daí a cautela e precaução. Não podemos esquecer a parábola dos talentos (Mt 25, 14-30). Só o amor edifica o que somos, nossas palavras e atos confirmam. Com a mesma medida com que medimos os outros, com nossas palavras, também seremos medidos. Se eu gosto de ser levado a sério, o outro também gosta. Eu não sou apenas um som, uma voz, sou gente, logo o outro também é. A. Einstein diz: “nós não podemos resolver nossos problemas com o mesmo estado mental que os gerou”. Tem momentos que a palavra não pode ser dita. Sua ação naquele momento pode gerar conseqüências drásticas. Muitas vezes o silêncio resolve o problema, a palavra atrapalha. Só pode fazer isso quem conhece o amor. Procure o estado melhor de gerar o amor e a palavra em você. Faça de sua palavra fermento (Mt 13, 33), ela será pão que alimenta você e os outros. Pense nisso.

 

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof. Do Seminário Diamantina e da PUC

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina

Membro da Academia Marial de Aparecida - SP