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Bíblia: A palavra de Deus mais perto de mim

Bíblia é a palavra de Deus. A certeza do que creio e professo na fé

(Côn. Manuel)

A Igreja no Brasil está celebrando o mês da Bíblia. Este livro, por ser especial, no dizer de um professor de história da Universidade de São Paulo (usp) citado no livro de Erinida G. Gheller, Cultura Religiosa I, afirma: “A Bíblia passa ensinamentos, propicia reflexões; é o grande código do pensamento e a matriz da literatura ocidental”. A Bíblia é composto de duas parte. O Antigo Testamento com 46 livros e o Novo Testamento com 27 livros. Seu verdadeiro autor é Deus. Porém, quem teve a tarefa do o escrever foram homens, chamados hagiógrafos, que inspirados pelo Espírito Santo ao longo de mais 1000 anos, desde os tempos dos Reis de Israel, Saul, Davi, Salomão e outros, até ao ano 100 depois de Cristo nos deram este legado, a Bíblia. Embora existam três tipos de bíblias, vale dizer: a católica com 73 livros, a protestante com 66 e a hebraica com 29, todas querem anunciar, proclamar e bem dizer a Deus. Todavia, o Novo Testamento é igual na Bíblia Católica e Protestante. Assim temos os 4 evangelhos: Mateus com 28 capítulos, Marcos com 16, Lucas com 24 e João com 21 capítulos. São 89 capítulos que nos levam a conhecer e a amar mais a Deus. Além disso, temos os Atos dos Apóstolos com 28 capítulos, as cartas de Paulo (14), as sete epístolas católicas e o Apocalipse com 22 capítulos. Assim entendemos que: “Onde está vosso tesouro, aí estará vosso coração” (Mt 6, 20).


Só no Brasil, por ano, são vendidos e distribuídos milhões de exemplares nas mais diversas edições e traduções. Tudo visa que a palavra de Deus seja mais conhecida e difundida. Por muito que sejam nossas dificuldades, muitas vezes difíceis, nunca nos devemos render ao desânimo. Podemos dizer, com encanto, que a Sagrada Escritura, é o grande best-seller de todos os tempos, traduzido oficialmente em mais de 2000 idiomas, dos 3000 falados no mundo, no dizer da autora acima citada. Por meio dela vemos Jesus entrando no coração de tanta gente, curando com grande magnetismo, favorecendo-lhe, o perdão dos pecados (Lc 7, 36-50; 8, 2-3); a paciência em os restabelecer (Lc 21, 19; Rm 5, 3-4; Cor 6, 3-4; Gál 5, 22); quebrando o orgulho dos que dizem que não tem mais jeito (Mt 23, 12; Lc 1, 51; Tg 4, 6. 16); ensinando com parábolas que é possível se santificar por grande ou pequena que seja a chaga (Lc 16, 1-9; Mt 18, 12-13; Lc 15, 11-32; Lc 17, 11-19), proporcionando condições de que, para Deus, tudo é possível.


O conjunto destes livros sagrados que compõem o Antigo e o Novo Testamento, querem ser o mapa para o viajador, o cajado para o peregrino, a bússola para o piloto, a espada para o soldado, e, sobretudo, o caminho certo para o cristão. Em toda esta coleção os Sagrados Livros querem nos proporcionar um estudo, leitura, consulta, oração, recolhimento, silêncio, meditação e outros, encontrando, assim, o alimento que nos conforta (Mt 15,11). Para nos dar alento e vigor temos a sólida parábola da casa na rocha (Mt 7, 24-27; Lc 6, 47-49), o significado do fermento na massa (Mt 13, 33), a profundidade do grão de mostarda (Mt 13, 31-32; Mc 4, 30; Lc 13, 18), a esperança da ovelha perdida (Mt 18, 12-13), o valor de ser sal e luz do mundo (Mt 5, 13; Mc 9, 49-50), a grande recompensa de sermos trabalhadores da Vinha do Senhor (Mt 21, 1-16), a qualidade e o caráter de ser vinho novo (Mt 9, 17; Mc 2, 22; Lc 5, 37-39) e o quanto vale a pena conhecer a grande vitória da ressurreição (Mt 28, 2; Jo 11, 1-46). A Lumen Fidei nos orienta: “Todas as verdades, em que cremos, afirmam o mistério da vida nova da fé como caminho de comunhão com o Deus Vivo” (LF, 45).


São Gregório Magno em suas expressivas palavras atesta-nos: “As palavras divinas crescem com quem as lê”. A pessoa de fé quer naturalmente saber o que é mesmo aquilo que acredita. Quer saber também o que implica tudo aquilo em sua vida concreta e em seu destino. Todo o ser humano quando envolvido de fé tem dentro de si uma curiosidade. Santo Anselmo (+1109) diz: “a fé é desejosa de saber. Ela busca a luz”. Santo Agostinho nos diz: desejei ver com a inteligência o que acreditei. No dizer de Clodovis Boff: “há, na fé uma vontade de verdade”. Nisto consiste a verdade Daquele que se encarnou (Jo 1, 14 ss). Nossa fé mostra com clareza a entrada de Deus na história real. Jesus se torna a verdadeira Tora, no dizer do Papa Emérito Bento XVI, no seu livro Jesus de Nazaré. Por isso, o mês de Setembro, e, conseqüentemente, todo o ano, queremos viver, recordar, celebrar e anunciar, com fé, o que a Sagrada Escritura nos quer dizer. Estas Sagradas Letras são a grande faculdade de conhecer, perceber, apreciar a percepção, a noção e o senso do maior acontecimento de Deus. Nesta grande “Carta”, Deus informa toda a humanidade qual é seu desejo e, mormente, sua vontade, a de salvar a humanidade. O Papa Francisco, nos diz: “A transmissão da fé, que brilha para as pessoas de todos os lugares, passa pelo eixo dos tempos, a sua palavra” (LF, 38). A Bíblia nos convida a vivenciarmos “o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus (LF, 7). É por isso que a Bíblia é o grande livro da humanidade. Seja um apaixonado da palavra de Deus. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina - (ALAD).

Membro da Academia Marial – Aparecida - SP