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Quando a ingratidão faz a diferença ... e nos cura – Uma reflexão

 

“A ingratidão não me cala, por ela eu falo e faço”
(Côn. Manuel)

 

No sensível de um cotidiano emoldurado numa modernidade cheia de acontecimentos, podemos com facilidade ser atingidos pela ingratidão. No dia a dia na convivência com pessoas que nos rodeiam, na soma de pequenas / grandes atitudes, erigir atos como palavras e ações, podem trazer certos danos, como frieza do coração, falta de reconhecimento dos sentimentos e, sobretudo, a existência de que somos gente capacitados de uma consciência, viva na sociedade. Quando a ingratidão acontece, o eu sofre, fica sem chão, a motivação se entrega ao desânimo, a força dá lugar à derrota e, normalmente, aumenta uma escuridão dentro da pessoa. Ela não consegue se achar e elabora uma série de porquês cujas respostas se refugiam no subterfúgio de um emaranhado de coisas, idéias, culpas ou desculpas, mas nunca consegue ver, com claridade, o que aconteceu de verdade. Já nos diz Jean Cocteau: “Existem verdades que a gente só pode dizer depois de ter conquistado o direito de dizê-las”. Por isso, não desprezes este momento precioso em tua vida. A ingratidão pode ascender reflexões nunca até então vividas por você. Com a ingratidão o eu pode investir mais na prudência e ganhar créditos para um amanhã mais promissor.


Um proeminente pensador nos encoraja: “A vida, como a fizeres, estará, contigo em qualquer parte”. A ingratidão não pode ficar alheia a essa verdade. Grandes vultos da sociedade sofreram essas ignomínias. Comecemos por Jesus de Nazaré. Tantos açoites, flagelos, vergastadas. Diz o Evangelho: “Quem é este .. donde lhe vem a sabedoria e os milagres ... sua mãe não é Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? E era para eles uma ocasião de queda” (Mt 13, 55 ss). Quantas declarações solenes e acusações de blasfêmia Jesus sofreu (Jo 10, 22 ss). Com Jesus a ingratidão não ficou ausente. Vejamos um exemplo: “Não foram dez leprosos curados, onde estão os outros nove? Só um voltou para agradecer ... e era estrangeiro” (Jo 17, 11 – 19). Contudo, a vitória da vida sempre dará a resposta, mesmo que seja no mais alto da cruz ou cruzes da vida. Assim, testemunha o Evangelho. “Verdadeiramente este Homem é o filho de Deus” (Mc 15, 39; Mt 27, 45-56; Lc 23, 44-49; Jo 19, 28 – 30). Maxwel Maltz nos exalta: “Quanto maior for a crença em seus objetivos, mais depressa você os conquistará”. Não tenhas medo se fores atingido pela ingratidão. A dor começa primeira na consciência de quem foi ingrato contigo. É aqui que você precisa ser mais. A ingratidão pode curar e amadurecer as atitudes, palavras, gestos e outros em você. Diz o velho ditado: “carro pesado é que faz barulho”. A ingratidão ao fazer barulho dentro de você, te acorda para muita coisa na vida.


Depois de Jesus de Nazaré poderíamos enumerar tantos santos / santas e mártires. O que nos chama a atenção é que nunca olharam para trás (Lc 9, 62). Mesmo sangrando no ardor da ingratidão seu objetivo era maior e, nas intempéries da vida, o hoje bem vivido, lhes oferecia força para um amanhã encorajador. Irmã Benigna, Beata Irmã Dulce, São João Paulo II e tantos outros sofreram o calvário da ingratidão. Quanta ingratidão enfrentou Martin Luther King, o líder de movimentos, que buscava o respeito dos direitos dos negros e o fim da discriminação racial nos Estados Unidos. Com protestos pacíficos conseguiu mudar a situação dos negros em seu país. Ele foi maior que a ingratidão. Mahatma Ganthi que quer dizer “A Grande Alma” foi o idealizador e fundador do moderno Estado Indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. Como os ingratos o queriam derrubar. Contudo, ele soube dizer a todos que sua força maior começava na ingratidão. Veja como a ingratidão ensinou muita gente a ser diferente. Quando o objetivo é maior, a pedra pode ter o tamanho que quiser. Todavia, sempre existe um jeito de remove-la. Tire do seu coração a pedra do orgulho, rancor, ódio e vingança. Coloque o amor dentro de você e verás que serás mais que vencedor. A ingratidão pode ser uma grande transfusão de sangue em nossa vida. Mesmo que a dor seja maior do que você, desafiando suas forças, lembra-te que foste chamado (a) e, é por essa ingratidão, que o mundo ficará melhor amanhã. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo
Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG
Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG
Membro da Academia Marial – Aparecida - SP