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A Senhora da Piedade na Arquidiocese de Diamantina: de Capela a Santuário

 

“Todas as gerações me proclamarão bem aventurada”
(Lc 1, 48)

 

Maria Santíssima sempre amadureceu nossa fé e amor a Jesus Cristo, assim nos assegura o Documento de Aparecida (n.º 134). A plenitude dos tempos (Gl 4, 4) trouxe um novo vigor para a humanidade, Jesus Cristo. Como discípulos e missionários, somos chamados a intensificar nossa resposta e ser anunciadores do Mestre (Mt 20, 20ss). A resposta a esse chamado exige entrar na dinâmica do Bom Samaritano (Lc 10, 29-37). A Virgem Maria tem uma missão vital dentro da Igreja. O Documento de Aparecida diz que: “perseverando junto aos apóstolos à espera do Espírito (At 1,13-14), ela cooperou com o nascimento da Igreja Missionária, imprimindo-lhe um selo mariano. Como mãe de tantos, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a se experimentarem como família. Em Maria, encontramo-nos com Cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, e da mesma forma com os irmãos”. (DA 267).


A Senhora da Piedade desde os tempos áureos tem uma história que solenizou sua devoção. Atesta isso, os dados históricos que nos foram transmitidos através de gerações inteiras. A 19 de abril de 1762, em Sabará, o padre Félix Ferreira da Rocha, morador da fazenda do Bagre, quis fundar uma capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade. Doou a área situada entre o riacho das Pedras e o riacho dos Bois, para construção da capela, que se tornou o centro das atenções e atraía inúmeros fiéis. Padre Felix foi sucessor de André de Morais então proprietário da sesmaria denominada Bagre e em escritura pública doou 600 léguas de terras para a construção de uma capela juntando seis mil réis para a obra. Conseqüentemente, o povoado foi crescendo  sob as bênçãos de Nossa Senhora da Piedade. Quem se habilita a ler a Palavra de Deus pode sentir de perto o grande sentimento de Maria Santíssima, a Mãe de Deus e nossa, ao proclamar que “todas as gerações me proclamarão bem aventurada” (Lc 1, 48).


Ao longo dos tempos, a futura cidade de Felixlândia, recebeu o nome de Arraial do Bagre, Pirangaba (Peixe leitoso) e Piedade do Bagre. No ano de 1831, tornou-se Vila de Curvelo com o nome de Piedade do Bagre com cerca de 50 casas, tendo como pároco o padre Antônio da Rocha Franco que em 1830 dava assistência à localidade. Em 1847 foi criado o Distrito com o mesmo nome. Aos 8 dias do mês de junho de 1858 foi fundada a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade do Bagre. É bom registrar que a Diocese de Diamantina foi criada a 6 de junho de 1854, pelo Papa Pio IX tendo como seu primeiro bispo Dom João Antônio do Santos que governou a Diocese entre 28 de Setembro de 1863 a 17 de maio de 1905. A 28 de junho de 1917 foi elevada à condição de arquidiocese e sede metropolitana pelo Papa Bento XV. Com isso, podemos dizer que Felixlândia é uma das paróquias mais antigas da então Diocese. Em 1842, criou-se o distrito de Piedade do Bagre, emancipado em 1948, pela Lei Nº 366 de 27 de dezembro, com o nome de Felixlândia, em homenagem ao padre Felix (cf. site origem da cidade de Felixlândia). A mãe do Senhor tornou-se para este o povo uma referência para levar todos a Jesus. Aos poucos Maria deu força às palavras de Jesus quando diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso do fardo, e Eu vos darei descanso” (Mt 11, 28).


Assim, como Maria, teve participação na vida pública de Jesus, notificado nos “bem-aventurados que escutam e praticam a palavra de Deus (Mc 3, 35; Lc 11, 27-28)”, também, como marco histórico aos 15 dias do mês de agosto de 1949 foi lançada a pedra fundamental da Matriz de Nossa Senhora da Piedade que iria substituir a pequena capela que já não comportava o número de fiéis que crescia a cada dia. O início da construção da Matriz ocorreu em 04 de maio de 1951 sob autorização do Arcebispo, Dom Serafim Gomes Jardim da Silva, que governou a Arquidiocese desde 26 de maio de 1934 a 28 de outubro de 1953, mediante documentos aprovados. No ano de 1953 foi celebrada a primeira missa solene sob o arcabouço de cimento armado do que seria no futuro o presbitério do “Santuário” de Nossa Senhora da Piedade. Em 1963 recebeu a graça e o privilégio da Indulgência Plenária do Papa João XXIII. (cf. site da origem da Cidade de Felixlândia). A Mãe do Senhor, do seu bonito altar, continua  dizendo “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).


Todos sabemos, que a Mãe de Deus, peregrina na fé, caminhou desde o início com a Igreja no continente brasileiro. Ela sempre esteve na linha de frente. Sua missão primordial é de nos levar a Cristo, pois Ela, foi a “bem-aventurada, por ter ouvido e praticado a palavra de Deus”, como declarou seu próprio Filho (Lc 11, 28). Assim, a Escritura é, por excelência, o lugar do advento, cuja inspiração de Deus “é útil para intuir, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para boa obra (2Tm 3, 16). O Evangelho não é um livro, mas o milagre sempre novo do anúncio do Kýrios-Pneûma na Igreja; não é só letra, mas espírito. Maria nos dá o exemplo de confiança na Palavra de Deus. Ela é parte integrante desta palavra. Pela Sagrada Escritura e por Maria, a Senhora da Piedade, sabemos que “Deus será o nosso Deus e nós seremos o seu povo” (Lv 26, 12). Alimentados por este sentimento o dia nove de Agosto de 2011, ficará na memória do povo de Felixlândia. Sob a presidência do sétimo Arcebispo da Arquidiocese de Diamantina, Dom João Bosco Oliver de Faria, quando o relógio marcava 19 horas e 34 minutos, era proclamado Santuário a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. As palavras do Arcebispo aclamando a caminhada do povo erigiam a certeza que o decreto 069/2011 era o reconhecimento de uma fé, que as palavras do Pe. Zezinho asseguram: “quem está perto de Maria, jamais está longe de Jesus”.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo
Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG
Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG
Membro da Academia Marial – Aparecida - SP