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Semana de unidade pelos cristãos: De 1 a 8 de Junho de 2014

 

“Por acaso Cristo está dividido?”
(1Cor 1, 1-17)

 

O recente encontro do Papa Francisco com o patriarca ortodoxo de Constantinopla Bartolomeu, na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, não só marcou a história e os passos do Papa Paulo VI à 50 anos atrás, como também alicerçou as palavras de Jesus quando disse: “Para que todos sejam um” (Jo 17, 21): Assim, as igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), estão nos propondo mais uma semana de unidades pelos cristãos. A deste ano (2014) vai acontecer no período de 1 a 8 de junho. O tema proposto é: “Acaso Cristo está dividido?”, motivados pelo lema de 1Cor 1, 1-17. Esta Semana foi organizada pelos irmãos e irmãs do Canadá, país marcado pela diversidade de idiomas, cultura, clima e diversas expressões de fé. Nossos irmãos do Canadá afirmam: “A primeira carta aos Coríntios também aponta um caminho pelo qual podemos valorizar e acolher os dons dos outros, mesmo no meio de nossas divisões”. “Convidamos cada um de vocês a se unirem a este grande mutirão pela Unidade, que é a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Cada um é chamado a transformar a realidade onde vive e a construir um mundo melhor, vencendo preconceitos e buscando o respeito e a unidade”. Que a reflexão desta Semana de Oração nos anime a confiar, sempre mais, na transformação possível e no convívio fraternal. Que sejamos fortalecidos na fé que brota da certeza que vem da vitória do Ressuscitado. Assim nos atesta o texto publicado no site CNBB no dia 2 de junho e assinado pelos membros que fazem parte da comissão.


O magistério latino-americano e a prática pastoral da Igreja Católica têm insistido no diálogo ecumênico. O ecumenismo não é algo optativo entre especialistas, mas é “irreversível” e “irrenunciável para o discípulo e missionário”. O contrário seria um “escândalo” e um “atraso no cumprimento do desejo de Cristo”. Assim nos diz o Documento de Aparecida n. 227. O diálogo ecumênico é a troca de proposições entre católicos, protestantes e ortodoxos que visa a dissipar mal-entendidos, esclarecer dúvidas e abrir o caminho para a aproximação entre os cristãos. Daí a grande contribuição da semana de unidade pelos Cristãos. O Concílio Vaticano II (1962-1965) inaugurou uma nova sensibilidade Eclesial nos campos ecumênicos e do diálogo inter-religioso, assumindo de maneira admirável o otimismo salvífico, ao reconhecer tudo o que há de verdade e graça na singularidade dos fiéis de outras religiões. Isso não quer dizer que o Concílio seja o pioneiro do ecumenismo. Desde os tempos da divisão nunca faltaram cristãos que alertaram e tentaram diversas iniciativas para reencontrar a unidade da Igreja. Por isso, vemos que a oração pela unidade da Igreja de Jesus Cristo no seio de uma Igreja dividida tem origem antigas. Em 1867, a primeira assembléia de bispos anglicanos em Lambeth, na introdução de suas resoluções, pede com insistência a oração pela unidade. Em 1894, o Papa Leão XIII encoraja a prática de um Oitavário de oração no contexto de Pentecostes. Em 1935, o Padre Paul Couturier torna-se o advogado da “Semana universal de oração pela unidade que Cristo quer e pelos meios que ele quer”. Em 1958, o centro “Unidade Cristã” de Lyon começa a preparar o tema para a Semana de Oração, em colaboração com a Comissão “fé e constituição” do Conselho Mundial de Igrejas.  Em 1966, o que vale dizer, pós-Concílo Vaticano II, a Comissão “Fé e Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos da Igreja católica (o atual Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos decidem preparar em conjunto o texto para a Semana de Oração de cada ano. E, em 1968, pela primeira vez, a “Oração pela unidade” é celebrada com base nos textos elaborados por esses organismos.


Deste modo a túnica inconsútil de Jesus (Jo 19,23-24) vai tomando uma forma de unidade e, ao mesmo tempo, se recepciona a intuição do Papa João XXIII quando afirma que devemos “dilatar os espaços da caridade” até os confins da humanidade. Isso supõe que a evangelização e o diálogo estejam intimamente relacionados. A evangelização goza de uma universalidade sem fronteiras. São João Paulo II na Carta Encíclica Ut Unum Sint, visando com todo o vigor o empenho ecumênico, diz claramente que se queremos verdadeira e, eficazmente, fazer frente à tendência do mundo a tornar vão o Mistério da Redenção, os cristãos devem professar juntos a mesma verdade sobre a Cruz. A Igreja Católica reconhece e confessa as fraquezas dos seus filhos, consciente de que os seus pecados constituem igualmente traições e obstáculos à realização dos desígnios do Salvador. São João Paulo II, promoveu todo e qualquer passo útil a fim de que o testemunho da comunidade católica inteira possa ser compreendido em toda a sua pureza e coerência. A plena comunhão tão almejada pelo santo Papa quer chegar à maior verdade de todos os tempos de que “um só é o vosso Pai” (Mt 23,9), dando assim a resposta ao que precisamos vislumbrar no ecumenismo, vale a dizer: “vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo
Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG
Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina - (ALAD).
Membro da Academia Marial – SP