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Ata de Posse

 

Aos (28) vinte e oito dias do mês de julho do ano de dois mil e sete, da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Catedral Metropolitana de Santo Antônio, na cidade de Diamantina do Estado de Minas Gerais, por volta das nove horas da manhã, realizou-se a Solene Concelebração Eucarística de Posse Canônica de sua Excia. Revma. Dom João Bosco Óliver de Faria, Arcebispo Metropolitano de Diamantina.


A procissão teve início no Palácio Arquiepiscopal, situado à Rua do Contrato, 104, em direção à Catedral Metropolitana. Na chegada, a Banda da Polícia Militar executou o Hino do Sesquicentenário da Arquidiocese de Diamantina, a Marcha Pontifícia e o Hino Nacional Brasileiro.


Dom João Bosco foi recebido na porta da Catedral pelo Revmo. Sr. Pe. Darlan Aparecido de Fátima Lima, Administrador paroquial da Paróquia Santo Antônio da Sé e pelo Revmo. Sr. Mons. Geraldo do Nascimento Lúcio, atual presidente do Colégio dos Consultores.


Em seguida, Dom Paulo Lopes de Faria passou às mãos de Dom João Bosco Óliver de Faria a cruz para o beijo e em seguida a caldeirinha com água benta para aspergir a comunidade. Em seguida, Dom João Bosco Óliver de Faria e Dom Paulo Lopes de Faria seguiram para a Capela do Santíssimo acompanhados pelo Administrador da Catedral, Pe. Darlan Aparecido de Fátima Lima, onde permaneceram em oração por alguns instantes; ao sair da Capela do Santíssimo, dirigiram-se ao presbitério onde encontra-se a Imagem de Santo Antônio, padroeiro da Arquidiocese de Diamantina, para um momento de veneração.


Após este momento iniciou-se a Solene Concelebração Eucarística de Posse Canônica que contou com a presença de sua Emcia. Revma. Dom Serafim Cardeal Fernandes de Araújo, dos Senhores Arcebispos e Bispos, manifestando a colegialidade Episcopal, dezenas de Padres, religiosos e religiosas de vida consagrada e muitos irmãos em Cristo da Arquidiocese de Diamantina e outras Dioceses.


A saudação inicial foi feita por sua Emcia. Revma. Dom Serafim Cardeal Fernandes de Araújo. Em seguida iniciou-se o Rito de Posse Canônica de sua Excia. Revma. Dom João Bosco Óliver de Faria como VII Arcebispo Metropolitano de Diamantina. Dom Serafim Cardeal Fernandes de Araújo pediu ao Chanceler do Arcebispado, Pe. Darlan Aparecido de Fátima Lima, que apresentasse ao Colégio dos Consultores as Letras Apostólicas bem como ao Cabido Metropolitano e procedesse à leitura das mesmas, ao final da leitura todos cantaram dando graças a Deus.


Tomando a palavra Dom Paulo Lopes de Faria, até então Administrador Apostólico da Arquidiocese de Diamantina dirigiu-se à comunidade presente; depois passou o báculo, símbolo do pastoreio às mãos de Dom João Bosco Óliver de Faria e em seguida convidou-o a assentar-se na Cátedra.


Logo após, Dom João Bosco foi saudado pelo Revmo. Sr. Pe. Geraldo Auzânio Rocha representante dos presbíteros, convidando assim todos os presbíteros da Arquidiocese de Diamantina a manifestarem a sua Excia. Revma. Dom João Bosco Óliver de Faria, respeito e obediência.


A Sra. Sandra Maynart fez a saudação em nome de todos os leigos da Arquidiocese. Também manifestaram respeito e obediência um representante dos religiosos e religiosas e um representante das novas Comunidades de Vida Consagrada. A missa prosseguiu como de costume e logo após a Proclamação do Evangelho Dom João Bosco Óliver de Faria proferiu a sua primeira homilia como novo Pastor da Arquidiocese de Diamantina.


A celebração transcorreu normalmente, quando nos ritos finais sua Excia. Revma. Dom João Bosco Óliver de Faria foi saudado por representantes da Diocese de Patos de Minas.


E eu, Chanceler do Arcebispado, lavrei a presente ata, que apresentada a quem de direito, vai assinada por mim, por sua Excia. Revma. Dom João Bosco Óliver de Faria e pelos demais.

Diamantina, 28 de julho de 2007


Pe. Darlan Aparecido de Fátima Lima,
Chanceler do Arcebispado.



+ Serafim Card. Fernandes de Araújo.
+ João Bosco Óliver de Faria, Arcebispo de Diamantina.
+ Dom Paulo Lopes de Faria.

Homilia de Posse

 

Chega à Arquidiocese de Diamantina o oitavo homem, sacerdote, pontífice, profeta e pastor, que lhe é enviado por Deus, para exercer a função de Vigário e de Legado de Cristo nesta Igreja Arquidiocesana. (LG 27, João Paulo II em 7-12-90 Visita ad Limina).


Venho, antes de tudo, como irmão na fraqueza, mas para encorajar os fracos, confiando na força que vem de Deus e cheio de esperança para transmitir esperança aos desanimados e aos desiludidos na vida.


Venho, como cristão, para caminhar com vocês, ajudando e sendo ajudado na busca de um lugarzinho no céu. Maria foi às pressas visitar Isabel; foi para ajudar, mas foi também para ser ajudada, pois não havia alguém como quem partilhar o segredo de ser a Mãe do Messias.


Como Nossa Senhora, venho para ajudar, mas venho também para ser ajudado. Venho como sacerdote, para celebrar o sacrifício em que Cristo é a Vítima e, para ser vítima, no sacrifício em que Cristo é o Sacerdote. Venho para multiplicar o Pão Eucarístico e para proclamar o Pão da Palavra, condições para que a fraternidade cristã cresça nas comunidades e para que não falte o pão de cada dia na mesa do pobre.


Venho, na plenitude do sacerdócio, para fortalecer os que são sinais vivos de Cristo e para multiplicar, no meio de vocês, pela imposição das mãos, os que o serão. Venho a vocês, com o coração largo, sem preconceitos, sem restrições, movido por um grande amor a Cristo e à Sua Igreja.


Venho de ânimo alegre, esperançoso, confiando na força da graça de Deus, que me ajudará a superar as minhas fraquezas e que me iluminará, indicando-me os caminhos a seguir. Recebo, agradecido, das mãos de Sua Santidade o Papa Bento XVI, esta esposa que me é oferecida, a Igreja Arquidiocesana de Diamantina, tão bela em si mesma e nos seus filhos, que crescem num autêntico e profundo amor a Deus.


Trago-lhes minha saudação afetuosa, aos católicos e não católicos, aos cristãos e aos não cristãos, a todas as pessoas, em toda as idades e em todas as condições. Saúdo com especial carinho aqueles que, nos sofrimentos da vida, sentem-se mais esquecidos. É minha missão ajudá-los a encontrar o caminho da verdadeira felicidade, mesmo quando os sofrimentos não podem ser superados.


É também minha missão transmitir-lhes a fé, a esperança, a alegria, a confiança na ação de Deus, que é Pai de todos e que ama a cada um com um amor eterno. Venho, na estreita aberta por Dom João Antônio dos Santos, e por seus notáveis sucessores até Dom Paulo Lopes de Faria, colhendo os frutos das sementeiras por eles plantadas para torná-las maiores, mais fortes e mais viçosas.


Tenho um grande respeito e uma particular admiração por Diamantina, mãe de uma das figuras mais ilustres de toda a história do Brasil, o Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Aos 11 anos, tive a honra de apertar suas mãos, após ler para ele um discurso, saudando-o quando ele, em São João Del-Rei, entregava, em nome do presidente do Presidente da República Getúlio Vargas, a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul aos dois irmãos Arcebispos, Dom Emanuel e Dom Helvécio Gomes de Oliveira.


Tive o retrato do idealizador de Brasília, por muitos anos, no meu escritório. Sempre o vi como o homem do perdão. Perdoou aos milhares revoltosos e vencidos em Aragarças e em Jacareacanga. Os próprios agraciados com seu perdão disseram depois. Este merece o nosso aplauso, porque esse até perdoou os nossos erros.
Sou filho de São João Del-Rei, cidade que venero e que foi a mãe de minha vocação sacerdotal. Estudei no Seminário Maior de Mariana. No entanto, admiro Diamantina como uma das melhores expressões se não a maior- da mais lídima cultura mineira. Testemunham minhas palavras as placas de trânsito, bem dentro de Belo Horizonte, que não sinalizam os caminhos para as outras cidades históricas, mas mostram os rumos para quem quiser visitar Diamantina.


Quero oferecer ao povo diamantinense o melhor de mim, para fazer a cultura nobre e peculiar desta terra resplandecer sobre toda Minas Gerais e sobre o Brasil. Sinto-me honrado ao tornar-me o Arcebispo de Diamantina, Patrimônio Cultural da Humanidade! Alguém me perguntou pelos planos e pelos projetos que eu traria para a Arquidiocese.


Não trago nem planos, nem projetos! Trago um coração para amar o povo que me foi confiado, uma disponibilidade - sem limites para o trabalho, uma confiança na ajuda da Providência Divina e uma percepção do bem e do amor a Deus que reinam nos corações das pessoas. Juntos vamos avaliar o presente; não para compará-lo com o passado, mas para nele projetarmos o futuro.


Juntos, vamos refletir, rezar, questionar, programar, avaliar, rever a nossa ação evangelizadora. Passaremos, assim, aos filhos de vocês comunidades onde se sentirá sempre mais forte o perfume do amor de Cristo. Vivemos uma época em que os valores do Evangelho estão sendo sufocados, os princípios morais vêm sendo pisoteados pelo liberalismo crescente, pela licenciosidade dos costumes, pela inversão e pela dissolução dos valores da família, com uma corrupção crescente e impune no trato da coisa pública.


O povo sofre, clamando pelo restabelecimento dos valores éticos e morais. Nenhum plano econômico resolverá a situação do País, enquanto não se restabelecer a supremacia dos princípios do Direito, da Ética e da Moral; enquanto não se entender que, junto aos direitos, todas as pessoas têm também deveres para com a Pátria e para com a sociedade!


Onde falta a força do direito, impera o direito da força, quer escamoteando a manipulação por uma mídia comprometida, quer usando e abusando dos lobies que defendem os interesses dos que, por seu bem-estar, não precisariam de defesa. Não existe verdadeira solução para a questão social fora do Evangelho, ensinou-nos João Paulo II na Encíclica Centensimus Annus (5).


Disse Bento XVI aos Bispos do Brasil, na Catedral de São Paulo: Onde Deus e Sua vontade não são conhecidos, onde não existe a fé em Jesus Cristo e nem a Sua presença nas celebrações sacramentais, falta o essencial também para a solução dos urgentes problemas sociais e políticos. E mais adiante: Ao contrário do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá a vida um novo horizonte e, desta forma, um rumo decisivo. (...)


É necessário, portanto, encaminhar a atividade apostólica (...) promovendo uma evangelização metódica e capilar em vista de uma adesão pessoal e comunitária a Cristo. Lemos ainda nas cartas de João Paulo II: A tarefa fundamental da igreja de todos os tempos, e particularmente do nosso, é a de dirigir o olhar do homem e de orientar a consciência e a experiência da humanidade inteira, para o ministério de Cristo (Redemptoris Hominis e Redemptoris Missio-4).


A Igreja, com coragem e simplicidade, afirmou que todo homem sejam quais forem suas convicções pessoais traz gravada em si a Imagem de Deus e, por isso, merece respeito (C.A.22). Cristo, na Redenção, uniu-se a cada homem. Disto se segue que a igreja não pode abandonar o homem e que este homem é o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer na realização de sua missão (C.A.55). João Paulo II nos pediu uma renovação da fé e da vida cristã.


A missão da Igreja não é política, nem econômica, nem social. Mas a Igreja tem uma visão global do homem e da humanidade e, por isso como servidora -, traz a luz do Evangelho a toda situação que compromete o homem: na cultura, na arte, no trabalho, no social, na economia e na política.


O grande mal de nossa época é querer um humanismo sem Deus, sem Jesus Cristo e sem Sua Verdade Libertadora. O projeto de Deus, o Reino de Deus, vai acontecer em nossas cidades na medida que aprendemos a amar, a perdoar, e a servir-nos mutuamente (R.M.15). O bispo deve ser irmão, amigo, servidor de todos, sem distinção. Ajudem-me a não falhar.


Ajudem-me a ser pai, irmão e amigo de todos: anciãos, adultos, jovens e crianças; Arcebispo dos homens e da cidade e também daqueles que trabalham no campo; Arcebispo daqueles que têm a facilidade dos livros e do conforto e daqueles que as circunstâncias não lhes permitiram estudar ou lhes privaram dos meios necessários para uma vida digna.


Que eu perca de vista o exemplo da Beata Madre Tereza de Calcutá, que falava aos ricos e aos pobres e que levava todos para Deus. Que eu tenha um coração especialmente voltado aos que sofrem, aos pobres, aos esquecidos.


Não me deixem falhar! Se isto acontecer, há a vantagem de se ver que, sendo o Arcebispo humano, também ele pode falhar, mas o Arcebispo não deve falhar por causa daqueles que vão  sofrer as conseqüências de sua falha. Ajudem-me a ser um proclamador do Evangelho, sempre e em todos os lugares e em todas as circunstâncias.
A Igreja é a família dos fieis, um corpo em que Jesus é a cabeça. A Arquidiocese, uma comunidade de fé. Precisamos ser uma família onde não deve haver pergunta que não possa ser formulada, nem debate que não possa ser feito, respeitando-se, obviamente, a doutrina do Magistério da Igreja. Não há, no entanto, Igreja sem Bispo, mas o bispo sozinho também não é Igreja.


Hoje a Igreja vem pedindo uma participação mais atuante do cristão leigo. Não porque faltam padres, mas porque quem é seguidor de Jesus Cristo é também um anunciador do Evangelho por palavras, por obras e pelo testemunho de sua vida santa.


Agrada-me menos a expressão protagonismo do leigo na Igreja. Prefiro aquela cunhada no documento 61 da CNBB, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. N 99 co-responsabilidade de todos os batizados no anúncio do Evangelho- e repetida ainda, no doc. 62 Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, com a expressão co-responsabilidade do leigo na Igreja.


Em minha vida do Bispo, sempre sonhei com uma Igreja mais descentralizada, em que os leigos se atirassem com coragem e competência na evangelização e nas atividades pastorais, sem perder o espírito de comunhão e de filial obediência ao seu Pároco, ao seu Bispo e ao Santo Padre, o Papa. Juntos, meus irmãos leigos, vamos trabalhar, para que o Evangelho de Jesus seja mais conhecido e para que Deus seja mais amado.


Queridos irmãos sacerdotes: Durante os meus primeiros dez anos no ministério episcopal, pedi conselhos a muitos irmãos bispos sobre como agir nesta função. Foi interessante observar que todos eles tinham uma visão bem diversa sobre como viver este apostolado na Igreja, mas, ao mesmo tempo, havia um ponto comum a todos -Procure ser amigo dos seus padres. Penso que uma das primeiras obrigações do Bispo é cuidar para que seus padres possam se sentir bem no próprio ministério, exercendo-o com tranqüilidade e com alegria, saboreando a felicidade de ser sacerdote.


Se o Bispo deve estar atento para que não faltem pastores às comunidades cristãs, ele deve, por igual obrigação, esforçar-se, dedica-se, trabalhar com todas as suas focas para que esses pastores exerçam o seu ministério na santidade, com alegria e em paz. Lembro-me bem das palavras carinhosas de João Paulo II aos presbíteros brasileiros na cidade de Natal, em 1991: - Que nenhum irmão sacerdote sinta o sofrimento da solidão e da incompreensão.


Saiba, meu irmão Padre, que a sua saúde, o seu bem-estar, a sua renovação espiritual, a sua alegria no ministério são metas importantes na minha missão de Arcebispo. Digo a todos os sacerdotes, religiosos e diocesanos: O serviço que quero lhes prestar será com verdadeiro amor e carinho, como irmão, como amigo e, sobretudo, como pai.


Estou consciente de minha função de centro e de sinal de unidade da Igreja Arquidiocesana. Nossa fraternidade sacerdotal será um testemunho vivo do Amor de Cristo em meio ao nosso povo, Ela é o melhor marketing na Pastoral Vocacional.


Queridos religiosos e religiosas, leigos e leigas consagrados: Após o Concílio Vaticano II, são mais fortes os laços que os ligam à Igreja Particular. A espiritualidade de seus Institutos, os carismas de seus Fundadores são preciosos dons de Deus à Igreja. As comunidades religiosas devem ser focos de Evangelização, no dizer de João Paulo II.


Um Instituto Religioso cresce na razão direta da fidelidade de seus membros ao carisma do Fundador (a). A Igreja em Diamantina sente-se adornada e enriquecida pela presença dos Institutos Religiosos. Como Arcebispo, quero partilhar com vocês a alegria de sua consagração ao Senhor no serviço aos irmãos.


Queridos seminaristas e vocacionados: Vocês estão entre as mais peculiares riquezas desta Igreja Arquidiocesana. Vocês ouviram, com generosidade, a voz de Jesus, que os chama para o Seu serviço. Ficarei muito feliz no dia em que sentir que vocês encontraram em mim um segundo pai! Venho para ajudá-los na própria resposta de amor ao amor de Jesus, que os chama. Venho para ajudá-los a esculpirem, em seus próprios corações, o Coração de Cristo; para auxiliá-los a serem homens de Deus em meio aos nossos irmãos, procurando ser bem humanos para melhor servirem a Deus e ser muito de Deus para melhor servirem aos homens.

 

A todo o povo, dedico o tempo e a vida que o Senhor me conceder. Mais que de leis e de normas, o de que o povo mais precisa é apoio, compreensão, amor, compaixão, carinho, ajuda e disponibilidade de seu pastor. O povo necessita ver a valorização de suas boas qualidades, para que elas possam crescer. O povo necessita sentir-se amado para poder amar. Será mais capaz de amar aquele que se sente amado.


Foi por isto que Deus nos amou por primeiro: para que nós pudéssemos amar. Nós somos mais capazes de amar na medida que sentirmos que somos amados e que Deus nos ama. Quero lhes dizer que Deus é nosso Pai; Deus é seu Pai, Deus o ama, do jeitinho que você é. Não procure ser diferente do que Deus sonhou para você mas cresça nas suas qualidades. Digo-lhes que quero amar vocês, ajudando-os a cumprir bem a sua missão, a carregar a sua cruz, partilhando, com cada um, os cantos de louvor e de ação de graças ao Deus de nossa alegria.


Entre os fatos que mais me chocaram nos últimos meses está o de poder ver e sentir de perto o quanto é amarga a pobreza dos casais jovens que iniciam a formação de uma família, enfrentando a fome, a decepção com o desemprego ou com o sub-emprego. Vi, de perto, a mãe, casada na Igreja, que passou fome por semanas seguidas e, não tendo a quem recorrer, viu fechadas para si as portas do lar em que nasceu; vi a criança faminta a quem foi negado um pedaço de pão por pessoas de sua família, que comiam fartamente, à sua vista; vi injustiça do salário sonegado, por subalternos de uma empresa, a quem trabalhou com dedicação e com pontualidade por meses seguidos; vi o pai de família que se levantou de madrugada por lugar na fila, para que sua esposa grávida pudesse ter acesso a uma consulta e, que, somente às 7h, no momento da entrega das senhas, a secretaria, cinicamente, informou que entregaria apenas oito fichas. Ele era o nono da fila. Teve que esperar por outro dia e fazer outra madrugada. Todas essas ações entristecem a Deus! Meus queridos pobres entre os mais pobres, ainda não sei o que poderei fazer objetivamente por vocês.


Mas minha cabeça não terá paz, meu coração não se sentirá bem, nem meus braços encontrarão descanso enquanto eu não conseguir fazer algo que, de fato, ajude-os a sair da pobreza tão amarga. Quero estar muito perto dos pobres e de todos os que sofrem, trabalhando junto com as autoridades para que eles tenham dias melhores e para que vivam com alegria a própria vida.


Fico triste quando penso que os pobres mais pobres sentem a Igreja longe deles. Gostaria de estar errado! O Papa Bento XVI tem seu coração voltado para vocês. Assim ele falou aos Bispos do Brasil, em São Paulo: Neste esforço evangelizador, a comunidade eclesial se destaca pelas iniciativas pastorais, ao enviar, sobretudo entre as casas das periferias urbanas e do interior, seus missionários, leigos ou religiosos, procurando dialogar com todos em espírito de compreensão e de delicada caridade. Mas se as pessoas encontradas estão numa situação de pobreza, é preciso ajudá-las, como faziam as primeiras comunidades cristãs, praticando a solidariedade, para que se sintam amadas de verdade.(...)


Os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho e um bispo, modelado segundo a imagem do Bom Pastor, deve estar particularmente atento em oferecer o divino bálsamo da fé, sem descuidar do pão material. A nova Evangelização acontecerá pelo nosso testemunho de vida, pela nossa conversão pessoal. Só converteremos os outros quando conseguirmos antes, a nossa própria conversão.


Venho à Igreja de Diamantina, com o mandato apostólico de Bento XVI, por meu venerado irmão no episcopado, depois de ter investido nesta terra e neste povo -  com tanta dedicação e desprendimento pessoal 12 anos de sua vida episcopal, sentindo o peso dos anos e fiel às orientações da Igreja preocupando com o bem de suas ovelhas, pediu que alguém o substituísse na missão.


Querido Dom Paulo Lopes de Faria, cuidarei com desvelo, com amor, com afeto de sua Igreja, da nossa Igreja de Diamantina. Peço a Deus que, se o dom da vida me for prolongado, que também eu, quando as forças me faltarem saiba, com humildade, passar o cajado para que outro, com menos idade, possa conduzir o rebanho. Sua vida, sua saúde, seu bem-estar, sua alegria de viver estarão entre as prioridades de minha atenção.


O Palácio Arquiepiscopal de Diamantina continua sendo sua casa. Diamantina continua sendo sua. Sua presença aqui não será visita, mas a alegria de tantos filhos que ficarão felizes por sentir perto o próprio pai. Que o Senhor lhe fortaleça a saúde lhe prolongue os dias e lhe multiplique as alegrias em seu ministério apostólico.


Meus queridos irmãos Bispos Sufragâneos, respeitando a autonomia de cada Igreja Diocesana temos muito o que fazer em comum. Precisarei de suas ajudas, de suas palavras orientadoras, de suas amizades, de suas presenças. Conhecem melhor que eu a realidade, os desafios, a potencialidade apostólica do povo desta Província Eclesiástica. Podemos somar esforços, unificar e partilhar projetos, unirmo-nos num só coração que palpita com os mesmos sentimentos de amor a Cristo e à sua Igreja. Estou muito feliz e grato a Deus pela presença de cada um dos senhores nesta Província Eclesiástica.


Sou irmão que os admira e que quer, também, dentro de meus limites, poder ajudá-los. Coloco nas mãos do Exmo. Sr. Gustavo Botelho Júnior, DD. Prefeito Municipal de Diamantina, e do Exmo. Sr. Afonso Gandra, Prefeito de Itamarandiba e Presidente da AMAJE, minha saudação a todas as Exmas. Autoridades que nos honram com a presença. Uma carinhosa saudação ao povo da Diocese de Patos de Minas, onde passei 15 anos muito felizes em minha vida. Sou-lhe grato por todo o carinho recebido!
Saúdo o povo da Arquidiocese de Pouso Alegre e da Paróquia de Ouro Fino, no sul de Minas, que aqui se fizeram representar por diversas delegações. Um especial reconhecimento às gratas presenças do Exmo. Sr. Prefeito Municipal de Patrocínio, Dr. Júlio César Elias Cardoso. Coloco, em suas mãos Dr. Júlio Elias, meu reconhecimento a todas as autoridades civis e militares da Diocese de Patos de Minas, aqui presentes.


Tenho muito o que agradecer a Deus pelos anos vividos em Ouro Fino, em Pouso Alegre e em Patos de Minas, onde tanto carinho recebi de vocês. Há, no entanto, três lagrimas que eu gostaria de não derramar nesta hora, se o coração me ajudar.


Uma é pelo querido, e muito querido, Clero de Patos de Minas! Meus queridos padres. Não! Vocês não são, nem eram meus! Eu era de vocês! Eu sou e continuo sendo de vocês! Mesmo aqui, quero continuar sendo de cada um de vocês, sobretudo quando as nuvens aparecerem nos céus de suas vidas e sentirem o prenúncio de tempestades. Contem sempre com este Bispo que os ama muito e lhes é muito grato. Suas alegrias eram as minhas alegrias. Suas vitórias eram, também, minhas. Suas dores, seus temores, suas lágrimas doíam também em mim. Temos muitas razoes para louvar e para agradecer a Deus. Vocês foram bons para comigo. Aceitaram-me com minhas limitações. Sofremos juntos em tantos momentos de provação. Vencemos juntos tantos desafios. Sentirei saudades de nossas reuniões do clero, com seus almoços alegres, das risadas sonoras de alguns, dos nossos retiros espirituais e dos nossos passeios.


A outra lágrima é pelos Seminaristas! Como foi bom vê-los levar a sério a própria preparação para o sacerdócio! Continuem firmes. Não desanimem. As dificuldades passam. Cristo permanece. Ele é a razão do nosso viver! Vocês vão vencer. Maria os protegerá!


A terceira lágrima é pelos jovens! Sinto deixar vocês e não poder completar o projeto 2007, mas outras mãos atenciosas e seguras já estão comprometidas em acompanhá-los, preparando-os para serem aqueles que, em nome de Jesus, evangelizarão os outros jovens, seus companheiros de jornada. Tudo tem seu preço e a Mitra Adamantina se fez pagar! Ao povo de Diamantina, aos que vieram de outras cidades, sacerdotes e leigos, a minha gratidão. Saúdo e agradeço a presença de meus familiares. Eles são o berço de minha vocação e a força constante e atenta em toda minha vida sacerdotal. Saúdo meus irmãos Arcebispos e Bispos que, vencendo distâncias e transferindo compromissos, aceitaram enfrentar as estradas para trazerem aqui o testemunho da Colegialidade Apostólica e do apoio fraterno. Deus lhes retribua na imensidão do Seu amor a generosidade de seus corações.


Ao meu irmão mais velho e conselheiro querido, o Emmo. Sr. Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, diamante raro e precioso desta Arquidiocese, presidente desta cerimônia, o meu afeto, o meu carinho e a minha gratidão. Ao Santo Padre, o Papa Bento XVI, o meu preito de obediência e de fidelidade e a minha oração para que Deus o abençoe na condução da Barca de Pedro por mares tempestuosos.


Fui ordenado Bispo na festa de Nossa Senhora Aparecida. Coloquei sob Sua proteção o meu episcopado. No dia 6 deste mês, ao voltar de Roma, na Basílica e na Capela das Aparições, em Fátima, pedi a Maria que cobrisse, carinhosamente com Seu manto, a minha nova missão, o povo e o Clero desta Arquidiocese. Quero, ao encerrar esta oração, entregar publicamente a Arquidiocese de Diamantina nas mãos de Nossa Senhora, para que, do Céu, Ela nos acompanhe, nos proteja e nos ajude a sermos a grande Família de Deus.

 

Amém!